quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

CORREGEDOR DA PM E PROMOTOR DA AJMERJ FALAM SOBRE ACUSAÇÃO DE CORRUPÇÃO DAS MPTRAN DO 41°BPM


Dia 3 de outubro, às 16h, os cabos Rogério Jardim de Assis, Wellington Moises Melo de Oliveira e Bruno Oliveira da Silva, do 41º BPM (Irajá) param um motorista, na Estrada do Camboatá, em Guadalupe. Com carro irregular, lhe é exigido R$ 50 para a sua liberação. O motorista, então, apresenta uma nota de R$ 100 e, parado, espera R$ 50 de volta. Neste momento, um dos PMs pergunta: “Já viu policial dar troco?”. Diante da contestação da vítima, o militar entrega R$ 20 e questionou: “Tá bom assim?" — resultando no valor total de R$ 80 de propina.

O flagrante faz parte da investigação da Corregedoria da corporação, que resultou em um processo que tramita na Auditoria Militar. Quatro cabos, três soldados e um terceiro-sargento — todos lotados no 41º BPM — são acusados de concussão — por terem exigido dinheiro de motoristas que estavam com irregularidades nos veículos ou na documentação.

Os PMs foram pegos em quatro operações (blitz) feitas à luz do dia, em duas ruas movimentadas da Zona Norte, em vídeos feitos pela própria corporação. A prisão deles, no entanto, foi indeferida pela Justiça e, agora, o Ministério Público espera tomar ciência do despacho para recorrer da decisão. A partir de hoje, eles irão responder ao Conselho Disciplina, trabalharão administrativamente e terão porte de arma e carteira funcional cassados até a conclusão do processo.

De acordo com a denúncia do MP, depois de abordados, os motoristas confessaram a Corregedoria que pagaram propinas. Os flagrantes foram feitos nos dias 4 de setembro e 3 de outubro, na Estrada do Camboatá, em Guadalupe; e nos dias 10 e 25 de setembro, na Rua Alcobaça, em Anchieta. Nas quatro ocasiões, os policiais atuaram da mesma forma: abordavam os carros e, ao perceberem que os motoristas não tinham habilitação, IPVA pago ou vistoria anual feita, exigiam certa quantia para a liberação.

— É a famosa política do cafezinho, que tem que acabar. Os policiais não podem cobrar e as pessoas não podem pagar — resumiu o promotor Bruno dos Santos Guimarães, da Auditoria Militar.

No dia 4 de setembro, o terceiro-sargento Edmilson Carrarini Leal, o cabo Júlio César dos Santos Pereira e o soldado Hugo Luiz Barbosa Camargo abordaram um motorista com licenciamento atrasado, em frente ao Atlético Clube Nacional. Foi exigido R$ 40, mas a vítima disse ter apenas R$ 20. Informado que era pouco, pegou o resto com a mãe. Seis dias mais tarde, um motorista não habilitado foi parado pelos mesmos PMs. Ao informar que não tinha os R$ 50 pedidos, foi a um caixa eletrônico e, ao voltar, entregou o valor.

No dia 25 de setembro, os cabos Rogério Jardim de Assis e Bruno de Oliveira Silva e os soldados Jonatham Soares Lucas e Jonas Amorim Pinto pararam um motorista de van e constataram, erradamente, que sua habilitação era falsa. Os militares algemaram a vítima por 40 minutos e o colocaram dentro da viatura. O dono da van foi chamado e pagou, segundo o motorista, R$ 170. O motorista ainda deu os únicos R$ 10 que tinha na carteira.

“A sociedade entra numa parceria”

Entrevista: Bruno dos Santos Guimarães - Promotor de Justiça

As imagens surpreendem?

Não surpreendem. A gente sabe que isso acontece com frequência, infelizmente. A diferença é que a Corregedoria quer pegar isso (as irregularidades). Mas moro no Rio de Janeiro e, como todo carioca, conheço bem a Polícia Militar.

Como o senhor as enxerga?

Eu enxergo que o policial já entra para a PM achando que isso é uma rotina. O que me impressiona é que esses policiais colocaram “o dinheirinho do guarda” como se fosse uma normalidade e isso me assusta.

As sociedade tem culpa?

Claro. A gente prende, processa. Mas enquanto não se inverter a mentalidade da população, isso não vai mudar, o sistema vai continuar corroído. A sociedade entra numa espécie de parceria. Quantos você conhece já não deram dinheiro na blitz? O choque ético tem que partir também das pessoas nas ruas.

“A PM não é quadrilha, é uma instituição muito séria”

Entrevista: Coronel Waldyr Soares - Corregedor da Polícia Militar

O que o senhor acha da atitude dos policiais?

Tenho dois sentimentos. Ode repugnância, porque os policiais não são formados pra isso. Mas ao mesmo tempo que me entristeço, me alegro porque conseguimos detectar esse tipo de coisa e expurgar os maus policiais. Fazemos aquilo que é nossa obrigação na Corregedoria.

A população é culpada?

Costumo dizer que o cidadão é hipócrita. A população gosta que o policial seja maleável. Mas quando ele é maleável e capta a propina do cidadão, o próprio cidadão que alimentou a corrupção, critica e o chama de corrupto. Ninguém recebe propina se alguém não der.

Esses PMs têm a certeza da impunidade?

O policial é gente, é cidadão carioca. Com certeza, isso faz parte da formação moral do indivíduo, porque somos uma corporação de mais de 40 mil homens e mulheres e o índice de desvio de conduta é ínfimo. A PM não é uma quadrilha, é uma instituição muito séria.



FONTE: http://extra.globo.com/


NOSSA OPINIÃO: SERÁ QUE ALGUÉM VAI INVESTIGAR SE OS POLICIAIS ESTAVAM SENDO INTIMADOS POR ALGUÉM DE DENTRO DO BATALHÃO PARA ARRUMAR GRANA NA RUA?

POR QUE A CORREGEDORIA NÃO COLOCA UMA CÂMERA DENTRO DOS GABINETES DOS CHEFES DAS P3 DE CADA BATALHÃO???

OTÁRIO É ASSIM MESMO , ARROCHA NA RUA E ENCHE O BOLSO DOS OFICIAIS. E AGORA? VAI PERDER O EMPREGO E O CARA VAI CONTINUAR COMANDANDO A P3 E VAI ENTRAR OUTRO OTÁRIO NO SEU LUGAR E FAZER A MESMA COISA.

ESSA CONCEPÇÃO DE POLÍCIA TEM QUE ACABAR. SE O CARA QUER DINHEIRO , ELE QUE VÁ PRA RUA ARROCHAR OS OUTROS , E NÃO VOCÊS " MARIONETES" DE OFICIAIS , PUXA SACO DE P3.

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