terça-feira, 21 de maio de 2013

INTERIOR DO RIO VAI FORMAR SOLDADOS DA PMREJ


Os olhos da Polícia Militar se voltaram para o interior do estado. A região - que, com a política de pacificação na capital, tem vários municípios apresentando aumento nos índices de violência - vai receber, a partir de 1º de julho, turmas para a formação de novos praças.
O comando-geral anunciou que passará a formar parte de seus homens em sete batalhões fora da capital, função que antes cabia apenas ao Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), em Sulacap, na Zona Oeste do Rio. A mudança dobrará o número de policiais formados ao mês.
Atualmente, cada turma do CFAP possui cerca de 500 alunos, com - de maneira geral - formaturas mensais. Já as Companhias Pedagógicas do interior terão, ao todo, capacidade para formar 600 praças mensalmente. Como o curso dura seis meses, os novos policiais só estarão nas ruas no início de 2014.
Receberão as novas Companhias Pedagógicas as cidades de Campos (8º BPM), Barra do Piraí (10º BPM), Nova Friburgo (11º BPM), Cabo Frio (25º BPM), Petrópolis (26º BPM), Macaé (32º BPM) e Três Rios (38° BPM). Aos fins de semana, assim como ocorre no CFAP, os policiais em formação irão estagiar, sob supervisão, em patrulhamentos nas áreas de seus respectivos batalhões.
- Isso gera mais ostensividade e sensação de segurança aos moradores. Depois de formados, os praças serão preferencialmente alocados no próprio batalhão, ou em áreas próximas a ele - afirmou o coronel Erir Ribeiro, comandante-geral da PM.
A formação será feita por professores vinculados ao Banco de Talentos, da Secretaria de Secretaria estadual de Segurança (Seseg), que seleciona instrutores remunerados para dar aulas tanto para a Polícia Civil quanto para a PM. Além disso, apesar de separadas fisicamente, as novas Companhias estarão pedagogicamente subordinadas ao CFAP.
- Eles passarão pelas mesmas disciplinas, pelo mesmo treinamento, a mesma carga horária... Tudo para que não se perca a qualidade na formação - garantiu o coronel Ricardo Pacheco, diretor de ensino da corporação.
Mais policiais na Baixada
A criação das Companhias Pedagógicas no interior também abre caminho para que mais policiais formados pelo CFAP sejam destinados a outras regiões que sofrem com o aumento da criminalidade. Áreas como a Baixada Fluminense, Niterói e São Gonçalo devem ser beneficiadas.
- É impossível termos companhias em todos os batalhões por questão de logística, mas, com esse projeto, é possível direcionar melhor os policiais que saem do CFAP - confirmou o coronel Erir.
A novidade foi bem recebida na Baixada. Em Caxias, por exemplo, a violência mudou a rotina dos moradores.
- No Centro, os assaltos são comuns, principalmente durante os finais de semana - contou o vendedor Rodrigo de Brito, de 30 anos.


OS DETALHES DO PROJETO
Formatura em junho
Na capacidade atual, o CFAP seria capaz de atender 3.600 alunos simultaneamente. Hoje, são 1.500 homens em processo de formação. A próxima formatura, de 470 praças, acontecerá no dia 29 de maio. Em junho, outros 600 iniciarão as aulas.
Mais seis mil PMs
Segundo o comando-geral, um edital de concurso para policial militar será publicado na próxima quarta-feira. Ainda de acordo com a PM, seis mil vagas estarão disponíveis - parte delas futuramente destinadas às novas Companhias Pedagógicas no interior.
Piraí sai na frente
A divisão dos 600 novos praças em formação entre os batalhões do interior se dará da seguinte maneira: 200 em Barra do Piraí; 100 em Campos e Macaé; e 50 para Nova Friburgo, Cabo Frio, Petrópolis e Três Rios.
27 semanas de aula
O Curso de Formação de Soldados da Polícia Militar tem a duração exata de 27 semanas. A malha curricular é dividida entre três itens: formação básica (178 horas), formação profissional (390 horas) e formação jurídica (226 horas).
Direitos humanos
A formação básica inclui aulas de Ética e Cidadania, Direitos Humanos e Imagem Institucional, entre outras. Já a parte profissional abrange, por exemplo, cursos de tiro e policiamento ostensivo. Já a formação jurídica propicia aprendizados como um curso de aprimoramento da prática policial cidadã (a terceira maior carga horária, perdendo apenas para a educação física e tiro policial).


‘ESTAMOS DESCENTRALIZANDO A FORMAÇÃO DOS POLICIAIS’
Entrevista com o coronel Erir Ribeiro, comandante-geral da Polícia Militar
-Essa política tem o intuito de tentar reduzir os índices de violência no interior?
Sim. No fim de semana, onde há queda de policiamento, você vai ter cem homens estagiando. É por isso que estamos descentralizando a formação. Vamos começar a recompletar as unidades, indo além do RAS (Regime Adicional de Serviço).
-Ainda que pontualmente, já houve turmas de praças se formando em batalhões, e voltou-se atrás. Por que descentralizar mais uma vez?
Anteriormente, nós não tínhamos o Banco de Talentos. Os instrutores não tinham aquele compromisso, sobretudo na capital. Como ele não recebia, só dava aula por prazer ou por obrigação, e havia um prejuízo muito grande. Hoje, eles são todos remunerados — e existe, consequentemente, um maior compromisso.
-O projeto vai acarretar algum custo extra para a PM?
Já estava previsto no orçamento. Então, não vai alterar em nada. Só muda o local em que esses policiais estarão sendo formados.
-Há a previsão de expandir para outros batalhões?
A princípio, não.


FONTE: EXTRA.GLOBO

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