domingo, 29 de março de 2015

Câmeras vão identificar bandidos e acionar PM

A partir de maio, Niterói contará com mais um recurso para tentar garantir a diminuição da criminalidade na cidade, das 400 câmeras que serão instaladas e que farão parte do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), 40 terão tecnologia de reconhecimento facial e vão identificar criminosos que tenham passagem pela polícia. A informação foi dada pelo coronel Gilson Chagas, comandante do 12º BPM (Niterói), que esclareceu ainda que essas câmeras inteligentes serão capazes  de acionar viaturas da Polícia Militar.

A tecnologia das câmeras que serão espalhadas em Niterói segue o mesmo modelo de identificação do Centro Integrado de Monitoramento de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Quem alimentará o banco de dados com as características e informações de pessoas que já tenham alguma passagem na polícia, é a própria Polícia Civil.

“Esse sistema, que tivemos a oportunidade de conhecer em São Bernardo do Campo, nos dá a possibilidade de deixarmos programados aquilo que consideramos ser situações de risco. Por exemplo: se um carro passa na mesma rua, dando voltas no quarteirão em um intervalo pequeno de tempo, será considerado suspeito. As grandes cidades do mundo funcionam com o sistema de monitoramento de câmeras voltados para a segurança pública. A ideia é que tenhamos também portais nas saídas da cidade para identificarmos, por leitura de caracteres, os veículos que são roubados ou furtados”, disse Chagas, ressaltando que a parceria entre o Executivo e a PM tem sido primordial para um avanço na segurança pública de Niterói.

Para o estrategista em segurança e especialista em Sistema de Informação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Henrique Munaretto, o rosto humano, apesar das variações de pessoa para pessoa, possui uma composição básica que não se altera, lida pelos aplicativos como pontos em comum, que variam de acordo com a complexidade do sistema.

“Normalmente quando nós utilizamos logaritmos e softwares que mapeiam esse padrão nas pessoas, é possível registrar apenas o rosto ou todos os movimentos e empregá-los nas mais diversas funções. As câmeras possuem o mesmo princípio: detectar um rosto em formas geométricas e logarítmicas e então montá-lo como em um quebra-cabeça. A forma mais básica desse sistema é a câmera de celular, que faz o reconhecimento facial em alguns aparelhos”, explicou.

Alerta – Segundo informou o coordenador do curso de bacharelado em Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Lênin Pires, qualquer tipo de tecnologia à disposição da Polícia não pode ser substituída por ações e estratégia de quem é responsável por monitorar todo o aparato de segurança. Para o especialista, não pode haver a substituição de homens por máquinas.

“A inteligência tem que ser de quem está por trás das câmeras. É importante saber como vai funcionar toda essa orquestra. Além disso, a tecnologia não poderá negligenciar as ações e a particularização da informação. Isso que precisa mudar em Segurança Pública. Com isso, aí sim pode comprar o equipamento que for, que nos daremos ao luxo de ter esse material como apoio e não como solução”, defendeu.

Ainda de acordo com o especialista, nenhum tipo de tecnologia pode substituir também o que ele chama de “know-how” dos operadores.

“Ter uma base de dados bem alimentada é fundamental. É certo que Niterói vai estar muito bem servido desses aparatos de segurança e cabe a cada um fazer a sua parte”, ressaltou.

Funcionamento – Segundo a Prefeitura de Niterói,  além das câmeras, a cidade contará com um sistema de acionamento emergencial do Cisp – os chamados “botões do pânico”, que já tem alguns pontos definidos. Serão instalados em 80 bases, como as cabines recém-reformadas que integram a Guarda Municipal e a Polícia Militar, escolas de grande porte, unidades de saúde, prédios da administração pública, como a Prefeitura, universidades, terminal das barcas e a rodoviária, entre outros.

Em cada um deles, haverá um responsável pelo acionamento desse botão, permitindo o chamado imediato das forças de segurança. Além disso, todos os veículos da segurança pública serão conectados ao Cisp e poderão ser acionados 24 horas por dia, seja a partir da identificação de necessidade pelas câmeras ou pelo acionamento feito pelos cidadãos via central telefônica.

No prédio do Cisp, que será coordenado pela Secretaria de Ordem Pública de Niterói, ficarão lado a lado representantes das polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal, da Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Samu e NitTrans. O edifício também será sede da Administração Regional da Região Oceânica e do Centro de Controle Operacional (CCO), que vai monitorar o trânsito na cidade.


Fonte: O Fluminense

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