terça-feira, 31 de março de 2015

Ocupar a Maré não será uma tarefa fácil


A partir de quarta-feira, a Polícia Militar começará a ocupar o Complexo da Maré, substituindo gradualmente militares das Forças Armadas e preparando a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Considerada uma ação estratégica — já que o conjunto de favelas fica perto do Aeroporto Internacional Galeão-Tom Jobim e está localizado às margens da Avenida Brasil e da Linha Vermelha —, a entrada de PMs na região ‘‘não será nada fácil’’, disse, nesta segunda-feira, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame.

O secretário falou sobre o assunto ao fim da cerimônia de posse do general Fernando Azevedo e Silva no Comando Militar do Leste (CML). Ele deixou a presidência da Autoridade Pública Olímpica (APO) e substitui o também general Francisco Carlos Modesto. De acordo com Beltrame, os PMs da Maré enfrentarão as mesmas dificuldades daqueles que atuam na Rocinha e nos complexos da Penha e do Alemão, onde o tráfico de drogas faz ataques sistemáticos a UPPs.
— O programa de pacificação tem chegado a áreas que nunca foram atendidas plenamente pelo Estado. O tráfico instalou raízes e adquiriu uma gordura criminosa por causa da ineficiência das ações que ali eram feitas. Manter UPPs na Maré não será uma tarefa fácil, assim como não tem sido no Alemão e na Rocinha. São regiões nas quais crimes já são praticados por quadrilhas que contam com uma terceira geração de bandidos — afirmou Beltrame.

O secretário lembrou que as UPPs vão passar por uma reestruturação. Na Maré,  PMs contarão com mais proteção, como torres de observação blindadas. Ainda segundo Beltrame, somente “unidades com 100% de infraestrutura serão inauguradas este ano’’.

— Não se trata de um recuo da política de pacificação. São ajustes. Em qualquer programa da vida da gente correções precisam ser feitas. Estamos dando início a um novo momento da segurança pública — disse o secretário.

AÇÃO EM ÁREA DE MILÍCIA

A primeira UPP do Complexo da Maré será instalada na Favela Roquete Pinto e vai atuar também na Praia de Ramos, área que hoje é controlada por milicianos. A partir de 1º de maio, as Forças Armadas começarão a deixar as comunidades de Parque União, Rubens Vaz e Nova Holanda. Até 30 de junho, o patrulhamento de todas as favelas da região ficará a cargo exclusivamente da PM, conforme um acordo firmado entre os governos estadual e federal.

— A segurança pública no Rio é uma espécie de paciente febril, terá sempre um pico, mas, uma hora, vai diminuir. Precisamos de seriedade, solidez e responsabilidade. Temos de mostrar que UPP não é uma questão isolada, mas, sim, uma política do estado — frisou Beltrame.

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