sexta-feira, 10 de abril de 2015

Assembleia questiona uso de R$ 70 milhões doados ao governo do Rio para segurança pública


Em meio à crise que atinge o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), a Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) questiona a aplicação dos R$ 70 milhões doados em maio do ano passado ao governo estadual para investimentos em segurança pública. Em reunião nesta quinta-feira, 9, com deputados da Comissão de Segurança Pública da Alerj, a Secretaria de Segurança se comprometeu a enviar até o próximo dia 14 relatório detalhado sobre o emprego do dinheiro.
Inicialmente, o secretário José Mariano Beltrame disse aos deputados que só R$ 27 milhões foram repassados à pasta. “No nosso entendimento, essa rubrica tinha destino certo, a questão da segurança. É uma pergunta que vai ser colocada para o governo do Estado. Para onde foram os outros R$ 43 milhões?", perguntou a deputada Martha Rocha (PSD), que preside a Comissão, na saída da reunião. 
A Secretaria de Segurança procurou os deputados à tarde para informar que Beltrame se enganara. De acordo com a nova versão, do R$ 70 milhões repassados, R$ 27 milhões foram investidos em UPPs, R$ 30 milhões nas Polícias Militar e Civil e R$ 13 milhões para a construção de escola técnica no Complexo da Maré, na zona norte.
Deputados que estiveram no encontro pela manhã demonstraram surpresa com as explicações tardias da secretaria. “Beltrame deixou muito claro que só tinha recebido R$ 27 milhões. Depois a secretaria entrou em contato conosco para fazer a correção. É estranho e certamente será assunto debatido na próxima reunião da comissão", afirmou Bruno Dauaire (PR).
Publicada no Diário Oficial do Rio em 22 de maio de 2014, a Lei 6.782/14 estabelecia a transferência de R$ 70 milhões do Fundo Especial da Alerj para o governo do Estado. Do total, R$ 29 milhões deveriam ser investidos na construção e reforma de bases das UPPs.
Os deputados da comissão informaram que visitarão UPPs a partir da semana que vem. “O objetivo é observar as demandas não só da comunidade, como também dos policiais em exercício naquele território”, disse Martha Rocha, que entre 2011 e 2014 foi chefe da Polícia Civil.
Outra questão levada pelos deputados à secretaria é a realocação de policiais militares do interior que haviam sido transferidos para atuar nas UPPs da capital. Segundo a deputada, ficou acordado que cerca de 350 PMs retornarão às suas cidades e serão substituídos por outros Agentes.

FONTE: ESTADÃO

Nenhum comentário:

Postar um comentário