quarta-feira, 17 de junho de 2015

PM precisa de cirurgia, mas hospital da corporação diz não ter dinheiro


O escândalo de desvios de verbas no setor de Saúde da Polícia Militar, com prejuízos superiores a R$ 16 milhões — noticiado com exclusividade pelo blog ‘Justiça e Cidadania’, em outubro do ano passado — não põe em risco apenas a ética e os cofres públicos.

O lado mais cruel da falta de recursos pode ser dimensionado na história do sargento reformado Paulo Roberto Dias Ramos que, aos 69 anos, precisa de colocar cinco pontes de safena no coração para continuar vivo, mas não consegue fazer a cirurgia no Hospital Central da PM (HCPM), que, que segundo ele, alega estar sem verba.

“Após 30 anos de serviço e reformado com ficha limpa e louvor, não acredito mais em nada. A PM me virou as costas e só quero ir para casa, morrer com minha família”, desabafa o militar.

Paulo ficou 32 dias internado na unidade do Estácio e conta que adquiriu uma bactéria. Ele foi mandado para casa para tratar a infecção. “Os médicos disseram que, internado, ele não se livraria do problema, pois o hospital está tomado por bactérias”, recorda a filha do sargento, Mônica Conceição Moraes, 52 anos.

Recuperado, Paulo voltou três vezes ao HCPM para tentar marcar a cirurgia, mas os responsáveis disseram que não havia dinheiro para pagar os convênios.

"Ele passou mal no sábado e fui ao Hospital Municipal Moacyr do Carmo, em Duque de Caxias. Eles fariam a cirurgia, mas a PM não fez em meu pai, durante o tempo em que ele ficou internado, todos os exames. Agora, pode ser tarde”, lamenta Mônica. Segundo ela, o último pedido ao HCPM foi um laudo para conseguir uma ordem judicial, mas o HCPM negou o documento. A assessoria da PM informou ontem que não conseguiu contato com a direção do HCPM.

Falhas de memória e cardíaca

Paulo Roberto tem cerca de 95% da função cardíaca comprometida. O problema começou após um infarto, em abril. Com dificuldade de fazer o sangue circular pelo corpo, Paulo apresenta falhas de memória e, às vezes fala coisas sem sentido, segundo a Mônica.

“Meu pai diz que os oficiais do hospital vão acabar prendendo ele. Faz confusão com o tempo em que estava na ativa. É triste saber que isso pode ser corrigido com a cirurgia, que é direito dele”, ressalta a filha do militar.

Depois de negar que o caso era grave, uma oficial, identificada como doutora Rose, mandou Mônica ir a outra unidade, na última visita ao HCPM. “Corre com seu pai, porque aqui não dá”, disse Rose, segundo Mônica.

Um comentário:

  1. Todo mundo quer maior qualidade na segurança pública, mas para melhorar a qualidade será imprescindível melhorar a questão salarial, ou seja, valorizar o Policial Militar com uma remuneração digna.

    O Salário Mínimo Necessário foi calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em R$ 3.377,62 (três mil, trezentos e setenta e sete reais e sessenta e dois centavos) no mês de Maio de 2015, de acordo com o inciso IV do artigo 7º da Constituição Federal de 1988 ("salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo"). Acrescido dos 30% de Adicional de Periculosidade (R$ 1.013,28), o valor do Piso Salarial da categoria deveria ser fixado em R$ 4.390,90 (quatro mil, trezentos e noventa reais e noventa centavos). O menor vencimento deve ser igual ou superior ao referido valor.

    http://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html

    O adicional de periculosidade para profissionais de segurança pública foi aprovado!

    A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 193/15, que garante aos integrantes do sistema de segurança pública de todo o País o adicional de periculosidade. Pelo texto, cada estado vai estabelecer o valor do adicional, desde que observado um percentual mínimo de 30% sobre a remuneração total.

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