quarta-feira, 10 de junho de 2015

Prova é anulada, mas PMs ainda estão presos

Polícia Militar não diz quantos cumprem medida disciplinar após confusão no Engenhão 



Os candidatos que receberam voz de prisão durante a realização de uma prova interna para sargento da Polícia Militar, no domingo passado, no Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, continuaram cumprindo prisão administrativa disciplinar de 24 ou 72 horas, apesar da anulação do concurso ter sido anunciada na segunda-feira. A anotação da prisão em flagrante fica marcada na ficha do policial. Ao todo, 200 candidatos receberam voz de prisão durante o exame, mas a PM não informou quantos permanecem presos até hoje e onde cumprem a medida por terem desistido do teste físico antes do tempo previsto, devido ao calor. 
A Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) vai pedir explicações ao comando da PM sobre o caso. Os policiais que faziam a prova alegam ter ficado debaixo de sol forte por horas. Alguns foram presos por se recusar a permanecer no local do exame. Muitos passaram mal. 
Os deputados querem informações sobre as despesas para a realização da prova e a estimativa de custos para o próximo exame. Também querem saber se houve ou haverá punição aos oficiais responsáveis. A corporação não quis revelar os gastos, limitando-se a declarar que utilirzou recursos próprios. 
— Cheguei às 10h30m. Estava no setor Leste Superior do Engenhão. Às 12h30m, eu já estava no sol. 

AUDIÊNCIA: Deputados querem uma audiência pública sobre prova de sargentos
Fiquei até as 15h30m. Não tinha água, e o único bebedouro não funcionava — contou um PM do Batalhão de Choque, que não quis se identificar. 
Nas redes sociais, circula a informação de que uma nova prova seria marcada para 15 de novembro. A PM informou, porém, que não há data escolhida. Também não estaria decidido se o exame será ou não descentralizado, como sugere um ofício interno. No documento, o comandante do 2º Comando de Policiamento de Área, tenente-coronel José da Silva Macedo Júnior, pede informações a oficiais sobre a possibilidade de realizar o concurso em universidades públicas e privadas nas áreas seguintes batalhões: 9º BPM (Rocha Miranda), 14º BPM (Bangu), 18º BPM (Jacarepaguà), 27º BPM (Santa Cruz), 31º BPM (Barra da Tijuca), 40º BPM (Campo Grande) e 41º BPM(Irajá). 

—Praticaram tortura. Foi um ato covarde só para demonstrar poder. Quem deu essas ordens absurdas tinha que ser preso — disse o presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM, Vanderlei Ribeiro. 

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