terça-feira, 30 de junho de 2015

CASO AMARILDO: ‘Sou inocente’, diz Major Edson Santos



Major Edson Santos, que era responsável pela UPP da Rocinha na época do desaparecimento de Amarildo de Souza, afirma que é inocente da morte do ajudante de pedreiro. Na noite do desaparecimento, ele conta que tinha em mãos uma lista com nomes e fotos dos traficantes com mandados de prisão expedidos pela justiça e, por isso, Amarildo foi levado até ele. “Os policiais me trouxeram o Amarildo, eu o liberei e ele saiu exatamente pela área da escada”.
O Major, que está preso, afirma que Amarildo foi assassinado por traficantes. Ele também afirma que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) estava na comunidade para garantir a segurança. Leia a entrevista a seguir:

O senhor conhecia o Amarildo?
Major Edson: Amarildo, eu nunca vi o Amarildo. Eu o vi no dia que ele veio até mim e eu o liberei.

E por que o Amarildo foi levado para o centro de comando e controle? Por que ele não foi levado para a delegacia?
A única forma de verificar era através da listagem atualizada.

E essa listagem atualizada não estava na delegacia?
Com certeza deveria ter na delegacia. Provavelmente sim. Mas o que é mais perto? Sair da Rocinha e ir até a delegacia na Gávea ou vir falar comigo e eu ter o controle do que estava acontecendo? As pessoas não entendem que aquilo ali é uma comunidade. Você não consegue fazer certas coisas de determinado ponto, que tem áreas de sombra, há pontos com os quais você não tem o contato. E eu gostava de ter o controle, para saber o que estava acontecendo.

O senhor acredita que Amarildo esteja morto?
Sinceramente, hoje em dia, eu não tenho dúvida disso.
E ele foi morto por quem?
Eu não tenho dúvidas e nos autos há material suficiente que aponta para o tráfico.

E qual o interesse do tráfico em matar o Amarildo?
É uma tentativa de me tirar de lá. A UPP da Rocinha era a mais bem aceita e com o menor índice de reprovação.

Tanto a polícia quanto o Ministério Público afirmam que o senhor mentiu, que o senhor foi o mandante da tortura.
Olha, eles vão trabalhar isso o tempo todo. Porque ninguém quer passar como incompetente. Ninguém quer passar. A Divisão de Homicídios do Rio comprou uma história que, com certeza, que eu não quero acreditar que eles mesmos fizeram isso. Eles compraram alguma história de algum policial, de alguma fofoca.

PM nega participação do Bope

O Major Edson Santos disse também na entrevista que havia informações de que criminosos iriam atacar a UPP da Rocinha em represália às prisões feitas no dia anterior e, por isso, chamou o Bope até a comunidade. “Eu ligo para o comandante geral e explico, o comandante conversa comigo e fica definido o Bope vir. Ele pode confirmar isso. Eu tinha 10 policiais da administração. E quando vai pra administração é quem ou tem medo de trabalhar na rua ou está com algum problema médico. Um ou outro com pistola. Eu vou pegar aqueles garotos ali da administração para fazer segurança de área? O Bope veio para dar segurança, simplesmente para fazer ação presença".

Na semana passada, o Jornal Nacional mostrou  novos detalhes da investigação do caso Amarildo. Peritos do Ministério Público identificaram um volume na caçamba de uma das caminhonetes do Bope. Os promotores afirmaram que esse volume poderia ser um corpo, enrolado em um material preto. Eles descobriram também que o aparelho de localização do carro, que levava o volume, parou de funcionar pouco antes de o Bope sair da UPP. E a caminhonete ainda parou por dois minutos em um ponto onde não há câmeras. O PM afirma que a caminhonete não levava o cadáver do ajudante de pedreiro.

E onde está Amarildo? Essa pergunta o senhor se faz também?
Essa pergunta você tem que ir lá na Rocinha, procurar os marginais e perguntar pra eles. Ou melhor, para ficar mais fácil, converse com o morador. Porque hoje em dia não dá nem mais para entrar na Rocinha.

O senhor acha que eles não teriam dito já. Dois anos depois?
Falar diretamente e defender a gente pra morrer?

Vinte e cinco policiais militares da UPP da Rocinha estão no banco dos réus. Além do Major Edson Santos, outros 11 PMs aguardam o julgamento na cadeia. A Divisão de Homicídios disse que não comenta casos que já estão na justiça. O Ministério Público declarou que a acusação é baseada em provas contundentes colhidas durante as investigações.

Um comentário:

  1. a policia civil aqui do Rio é uma comédia, só trabalha com informações vindas de fontes duvidosas e elucida os casos a toque de caixa para ficar bem com a imprensa.

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