quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Penas duras para porte de armas de guerra

Após a prisão ontem dos seis traficantes e da apreensão de cinco fuzis, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que vai propor ao Congresso mudanças no Estatuto do Desarmamento, para aumentar a pena de quem for preso com armas de uso restrito. A mudança na lei, segundo ele, seria para os casos em que fossem apreendidos fuzis, granadas, dinamites e outros tipos de explosivos, além de adaptadores para pistola e carregadores que aumentem o poder de fogo dessas armas. Hoje, a legislação prevê uma pena máxima de seis anos para quem portar uma arma de uso restrito.

— Esses são os nossos verdadeiros inimigos. Eles não podem ter uma arma dessas. Defendo que quem for apanhado com um arma dessas tenha a pena dobrada e até triplicada. Na minha opinião, a pena deveria ser cumprida em regime fechado — afirmou Beltrame, ao comentar a apreensão de um fuzil calibre .50, capaz de derrubar um helicóptero. Na operação de ontem, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) apreendeu, além da arma antiaérea, outros quatro fuzis calibre 7.62, uma pistola e grande quantidade de munição. 

PARA FORA DO ESTADO 
Beltrame acrescentou ainda que já solicitou à Justiça a transferência dos traficantes presos no Chapadão para um presídio federal fora do Estado 
do Rio. Segundo ele, as penas dos seis bandidos somam mais de 120 anos, sem levar em conta os outros inquéritos que estão em andamento. 
A proposta de Beltrame de alterar a Lei do Desarmamento repercutiu no Congresso. O líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani, da bancada do Rio, se mostrou favorável às alterações. 
— Concordo que a lei precisa ser revista, já que essas armas são responsáveis pela morte de muitos inocentes. E acredito que haveria consenso da bancada do Rio em apoiar essa proposta do secretário Beltrame. Defendo ainda que a lei vá além: precisamos aproveitar e aumentar a punição para quem faz contrabando dessas armas — afirmou o líder do PMDB. 
Por meio de sua assessoria de imprensa, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), informou que vê com bons olhos propostas que visam a agravar penas para bandidos que portam armas de guerra. 
Em nota, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), também se mostrou favorável à mudança na lei. "É uma boa proposta para discussão, e a levaremos adiante quando for apresentada, nos termos do regimento" informou Cunha. 
O deputado federal Rodrigo Maia (DEM) disse que os parlamentares vão priorizar a proposta de Beltrame na Casa, mas não poupou críticas à gestão do secretário:
— São propostas importantes, que podem ajudar no combate à violência e que terão o nosso apoio. No entanto, não acredito que essas mudanças sejam determinantes para reduzir a criminalidade, que vem aumentando no Rio. O Beltrame precisa parar de transferir suas responsabilidades para os outros — atacou o deputado.  

FUZIL DE ALTA PRECISÃO,  DISPARO PODE ATINGIR MAIS DE 2KM

Uma das armas apreendidas pela polícia com os traficantes no Chapadão foi um fuzil Barrett  M82A1, calibre.50, semiautomático, de alta precisão, usado pelo Exército brasileiro e pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. Há três anos, no Afeganistão, umà equipe de atiradores de el ite das forças especiais australianas matou, usando dois fuzis Barrett, um comandante talibã que estava a 2.815 metros de distância. O M82 é fabricado nos Estados Unidos. 
Segundo o general José Carlos Amarante, ex-presidente da  Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel) e atualmente professor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), a arma foi criada há cerca de 70 anos. 
— Esse fuzil foi desenvolvido originalmente para a Segunda Guerra Mundial e vem passando por atualizações constantes. Uma arma dessas tem como principal objetivo provocar grandes danos em construções ou veículos. Se for empregada contra um ser humano, tem alto potencial de letalidade. Isso porque a bala, ao atingir o alvo, ainda se fragmenta — diz o general Amarante. 

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