quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Após desvio de quase R$ 8 milhões, Hospital da Polícia fecha 70 leitos


A sangria de aproximadamente R$ 8 milhões imposta por oficiais da Polícia Militar nas unidades hospitalares da corporação  no fim do ano passado pode levar ao fechamento do Hospital Central da PM (HCPM), no Estácio.

A denúncia foi feita pelo diretor do Sindicato dos Médicos do Rio, José Alexandre Romano, que nesta quarta-feira à tarde receberá cerca de 80 médicos residentes do hospital para tratar do fechamento de 70 leitos e dois centros cirúrgicos do HCPM.

Segundo José Alexandre Romano, devido às fraudes nas unidades hospitalares, diversos contratos foram suspensos e, há cerca de quatro meses, aproximadamente 150 técnicos de enfermagem perderam o emprego. Atualmente, com os 70 leitos fechados e 84 residentes sem função, o HCPM teria de fechar as portas.

“Existem alguns problemas. O primeiro foi o escândalo da máfia e, consequentemente, os contratos que foram descontinuados. O segundo é que dentro da corporação há interesse neste caos para que a administração do hospital seja entregue a algum plano de saúde. É lobby descarado”, acusa José Alexandre Romano.
Ainda de acordo com o diretor do Sindicato dos Médicos, cada policial poderá ter entre R$ 300 e R$ 400 descontados de sua folha de pagamento com uma assistência de saúde privada.

“Sem falar na queda de qualidade do serviço prestado ao policial, e também aos familiares do policial, uma vez que os hospitais atendem à toda a família”, lembrou Romano. O bom serviço prestado no Hospital Central da Polícia Militar também é exaltado pelos médicos residentes, que temem por uma má formação profissional.

“Eu gostaria de concluir o programa onde eu comecei. Aqui o serviço funciona e é de boa qualidade. Já estou há um ano e meio no HCPM, se eu ‘cair de paraquedas’ em um novo serviço, não vou conseguir ter uma boa formação”, disse uma médica residente, que preferiu não se identificar.

Atualmente, as cirurgias de emergência, oncológicas e de fraturas ortopédicas estão mantidas, mas com número reduzido devido à precariedade do hospital.

“Espero que o governo se sensibilize com a questão e faça os pagamentos necessários para que o hospital volte a funcionar. Esta é a posição do Sindicato dos Médicos”, completou Romano.

A assessoria de imprensa da PM informou, por email, que 196 leitos estão em funcionamento normal e 24 leitos estão temporariamente fechados. Quanto aos centros cirúrgicos, três estão em funcionamento normal e dois estão inoperantes.

O Diretor Geral de Saúde, Coronel Arthur Baeta, reconheceu que o fechamento dos leitos se deveu pelo término do contrato do quadro suplementar de técnicos de enfermagem, mas garantiu que o comando do Hospital já incluiu no plano orçamentário de 2016 um concurso para suprir as necessidades da área de saúde.

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