quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Na PM, cerca de 80% dos coletes à prova de bala estão vencidos

A falta de recursos que assola o estado atinge também a PM. Cerca de 80% dos coletes à prova de bala, que têm validade de cinco anos, estão vencidos. Com o estado sem dinheiro para comprar novos, policiais são obrigados a usar equipamentos antigos. Fontes ouvidas pelo GLOBO revelaram também que a manutenção dos veículos é precária. E os carros usados no patrulhamento estão ficando parados para economizar combustível.



O presidente da (Assinap), Miguel Cordeiro, destacou que coletes vencidos põem em risco a vida dos policiais. Segundo ele, a falta de manutenção desses equipamentos faz com que eles deixem de ser bons para uso antes mesmo dos cinco anos.

Outro problema enfrentado pelos PMs é o mau estado das fardas. Eles contam que alguns já precisaram pagar do próprio bolso o uniforme, que saiu a R$ 160.

— Tive que comprar a farda porque a minha ficou rasgada durante uma operação e o batalhão informou que não há verbas para a troca — disse um policial.

Outros que não admitem pagar do próprio bolso a roupa de trabalho acabam usando uniformes surrados.

— Eu não aceitei pagar a minha própria farda — disse um outro PM. — Estou com esta aqui há cinco anos. De tanto que lavei, a roupa não é mais azul, ficou roxa.

Sobre a economia de combustível, policiais militares contam que, nos batalhões, recebem ordens até mesmo para não usar o ar-condicionado dos veículos. Nesse quadro de corte de custos, as rondas têm sido reduzidas.

— Antigamente, a gente enchia o tanque das viaturas no início da semana e reabastecia no primeiro dia da outra semana — contou um PM na Zona Sul. — Agora não. Temos ordens para abastecer e utilizar somente 20 litros de gasolina por viatura durante toda a semana. Por isso, a determinação é ficarmos baseados em pontos estratégicos e só nos deslocarmos para atender ocorrências recebidas pelo 190.

Miguel Cordeiro, destaca que o procedimento prejudica a prevenção dos crimes:

— Quando o governo não dá a quantidade de combustível necessária para que a PM possa fazer seu trabalho, a segurança da sociedade fica prejudicada

CAFÉ DA MANHÃ SEM CAFÉ

Em Copacabana, Ipanema e na Lagoa, policiais se queixavam até do café da manhã. Segundo eles, a primeira refeição do dia agora nos batalhões tem se limitado a pão com manteiga.

— Todo dia, a gente faz uma vaquinha pra comprar leite ou café. A gente chega lá e só dão pão com manteiga. Nada mais — garantiu um policial.

Perguntada sobre os problemas denunciados pelos policiais, a assessoria da Polícia Militar afirmou, em nota, que a corporação “sempre busca racionalizar seus meios logísticos, sem prejuízo do serviço prestado à sociedade”. De acordo com o texto, a instituição “carece de investimentos em TI (tecnologia da informação). Nos demais setores, a PM vem administrando seus meios disponíveis”.


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