sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

PM conclui investigação sobre recruta que teve morte súbita em treinamento



Dois anos após a morte do recruta Paulo Aparecido Santos de Lima, que sofreu um mau súbito durante um treinamento no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap) em novembro de 2013, a Polícia Militar do Rio concluiu, anteontem, um Inquérito Policial Militar (IPM) sobre o caso. A investigação apontou, conforme consta no boletim reservado da corporação, “a existência de crime e de transgressão da disciplina” por parte dos capitães Renato Martins Leal da Silva e Sérgio Batista Viana Filho, e dos tenentes Slan Guimarães Procópio e Gerson Ribeiro Castelo Branco. Não consta no documento, porém, nenhuma punição para os quatro oficiais.

Segundo o texto, os indiciados forçaram os alunos “à prática extenuante de exercícios, dando insuficientes oportunidades para reidratação”. O fato, aponta também a conclusão do IPM, ocorreu no dia mais quente daquele ano, “quando os termômetros marcaram 41,8° C e a sensação térmica foi de 50° C”.

Ainda de acordo com o teor do boletim, a rotina imposta pelos então instrutores do Cfap ocasionou problemas de saúde em pelo menos 26 recrutas, incluindo insolação, lesões bolhosas e queimaduras de segundo grau. Já Paulo Aparecido sofreu uma intermação — mau causado por exposição excessiva ao calor — e chegou a ser levado para o Hospital da Polícia Militar, onde morreu dez dias depois.

Procurada, a PM afirmou que trata-se de um segundo IPM sobre o caso, instaurado este ano para apurações complementares. O primeiro, encaminhado à Auditoria de Justiça Militar em agosto de 2014, já havia apontado indícios de cometimento de crime e transgressão disciplinar por parte dos policiais envolvidos. A corporação não informou, contudo, se algum dos oficiais já foi efetivamente punido.
Em depoimento a promotores da Auditoria Militar, alunos que participaram da instrução relataram uma rotina de exercícios puxados, abusos e até pegadinhas por parte dos oficiais. Um recruta chegou a contar que, “enquanto os alunos queimavam as nádegas no chão quente, o capitão Leal encheu um copo de refrigerante e fez passar na mão de todos, sem que pudessem beber”. O aluno afirma que, nesse momento, o capitão estava numa viatura com o ar condicionado ligado. A sensação térmica chegou a 50 graus em Sulacap, bairro do CFAP, naquele dia.
 No dia do treinamento, Paulo Aparecido foi removido da instrução “desmaiado, sendo colocado na maca, sem responder aos estímulos. Foi feita massagem cardíaca, (...) voltando à frequência do coração”. Após ter sido reanimado, Paulo ainda foi levado à Unidade de Pronto Atendimento de Marechal Hermes (UPA) antes de ser levado ao Hospital Central da PM, onde teve morte cerebral diagnosticada dez dias depois.

2 comentários:

  1. TODOS OS OFICIAIS ENVOLVIDOS DEVEM SER DEMITIDOS DA CORPORAÇÃO, COM A PERDA DO POSTO E DA PATENTE.

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  2. POLICIAIS MILITARES ARRISCAM A PRÓPRIA VIDA POR MUITO POUCO

    A Polícia Militar precisa ser valorizada e fortalecida, pois POLICIAIS MILITARES DESMOTIVADOS significa SEGURANÇA PÚBLICA AMEAÇADA. Vale lembrar que o Rio de Janeiro sediará os Jogos Olímpicos de 2016, sendo o reconhecimento pecuniário indispensável, imprescindível para melhorar a qualidade do serviço policial-militar.

    Nas sociedades capitalistas é comum que o valor de um indivíduo seja aferido através do seu poder de compra, e isso tem muito a ver com seus rendimentos – a quantidade de dinheiro que ele consegue adquirir em determinado espaço de tempo. O salário do Policial Militar do Rio de Janeiro é incapaz de atender às suas necessidades vitais básicas (previstas no inciso IV do artigo 7º da Constituição Federal de 1988).

    Não é à toa que, falando de valorização dos policiais brasileiros, sempre se remete à questão salarial como um problema sério, pois além de garantir elementos essenciais para a sobrevivência, “ganhar bem” concede ao profissional um posicionamento social de relevância. Todo mundo quer maior qualidade na segurança pública, mas para melhorar a qualidade será imprescindível melhorar a questão salarial, ou seja, valorizar o Policial Militar com uma remuneração digna.

    A PMERJ pode reclamar bastante dos seus vencimentos, pois são inadequados para as funções exercidas. Os baixos salários desmotivam a tropa e criam desinteresse pela profissão. Um Soldado de Polícia Militar em início de carreira deveria receber vencimentos iniciais de R$ 8.612,50 (oito mil, seiscentos e doze reais e cinquenta centavos) mensais, para uma jornada de trabalho de até 144 horas mensais. A questão salarial impacta diretamente na autoestima dos Policiais e na valorização das Polícias.

    Os baixos salários fazem a PMERJ perder oficiais e praças. O idealismo vai esmorecendo, pois já não encontra-se mais comandantes com "C" maiúsculo, dignos de orgulho de seus comandados e os vencimentos não são suficientes para dar uma vida digna à família. A tropa da PMERJ está desmotivada, insatisfeita e tem VERGONHA DO SALÁRIO! Não há justificativa para os BAIXOS SALÁRIOS.

    "QUEM VIVE PARA PROTEGER, MERECE RESPEITO PARA VIVER." O Policial Militar precisa ser valorizado como herói! Em contrapartida, a Polícia Militar deveria acabar definitivamente com a Promoção de Praças por Tempo de Serviço! As Promoções devem ser conquistadas mediante aprovação em concursos internos para o CFC, o CFS e o CAS, bem como a conclusão de um Curso de Ensino Superior. Os Policiais Militares que já concluíram o 3º Grau deveriam receber um acréscimo no salário, como é feito na Guarda Municipal do Rio de Janeiro. Quem se qualificou tem que ser premiado. É a única forma de incentivar o estudo, a qualificação.

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