sexta-feira, 20 de maio de 2016

Fabricante de armas usadas pela polícia vira alvo de reclamações

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A principal fabricante de armas usadas pela polícia do Brasil é alvo de reclamações de vários agentes policiais. A Polícia Civil do Rio testou várias pistolas dos modelos mais usados pelos policiais. Entre os defeitos denunciados estão até mesmo disparos acidentais. Com um movimento simples, a arma dispara sozinha, segundo o resultado da perícia da Polícia Civil, como mostrou, com exclusividade, a GloboNews.
Uma arma modelo PT 100, da fabricante Taurus, foi comprada por um policial civil do Rio neste mês. Em tese, a empresa responsável testou a arma, que deveria estar perfeita e pronta pra uso. No entanto, a arma apresenta falhas grosseiras na confecção. A mais grave delas é o erro de alinhamento da munição com o cano.
"E eu acho que se eu fosse usar essa arma imediatamente eu estaria imediatamente morto, porque ela não vai funcionar. Talvez se você fosse atirar talvez travaria aqui e você teria que sacudir pra jogar a munição fora. Nisso, eu já tomei uns 5, 6 tiros", afirmou o policial que comprou a arma. Ele listou os defeitos da pistola, fez uma queixa na Delegacia do Consumidor e quer uma indenização pelo risco que poderia ter ao usar a arma.
"Comecei a pesquisar na mídia de um modo geral e vi que várias pessoas tiveram problemas de armas, inclusive modelos idênticos ao modelo que eu tenho, que tiveram problemas. De armas muitas vezes ela simplesmente se desintegrar".
Em 2013, um policial militar de Goiânia deixou cair no chão uma pistola da Taurus, que disparou e o atingiu. Ele acabou perdendo o movimento da perna direita e, nesta semana, passou pela quinta cirurgia. "Quando a minha arma caiu não era pra ter disparado de forma alguma. E ela disparou", lamentou o policial militar Alexandre Castro.
Alexandre criou um site chamado "vítimas da taurus" e começou a reunir histórias parecidas com a dele. A página mostra flagrantes de falhas grosseiras nas armas dessa fabricante. Num deles, um homem tenta atirar várias vezes e a arma falha. Em outro vídeo, dá pra ver que é só sacudir a pistola que os tiros saem.
Só no Rio de Janeiro, as armas da empresa Taurus são usadas por cerca de 35 mil policiais civis e militares. A Polícia Civil do rio fez um teste pra avaliar a eficiência das pistolas e separou lotes de dois dos modelos mais usados por policiais civis e militares no estado. A perícia aconteceu nos dias 31 de março e 1º de abril e agora saiu o resultado. Das 55 pistolas testadas, todas compradas há no máximo de 2 anos pela polícia civil, 36 apresentaram problemas.
Primeiro foram testadas 35 pistolas da Taurus, modelo PT 940. Dessas, 20 apresentaram pelo menos uma falha. A segunda perícia foi feita em pistolas Taurus, do modelo PT 840. Das 20 pistolas testadas, 16 apresentaram problemas.
Em 2009, a secretaria de segurança do rio investiu R$ 6 milhões na compra de mais de 1,3 mil carabinas da Taurus. Mil delas apresentaram problemas e a troca das armas defeituosas só acabou neste ano.
No Brasil existe uma lei que determina que a polícia só compre armas fabricadas no país, a menos que haja um modelo lá fora que não tenha um similar aqui dentro. Mas o Brasil tem só duas fabricantes e é justamente a Taurus que produz os modelos mais voltados para o trabalho da polícia nas ruas.
O problema é que as armas dos criminosos não se restringem às fabricadas aqui no país e aí eles podem levar vantagem num confronto.
Para o especialista em segurança Paulo Storani, a liberação para a compra de arma no exterior de certa forma obrigaria as empresas nacionais a aumentar o padrão de qualidade. “O criminoso ele vai conseguir uma arma com muito melhor qualidade e com muito mais facilidade. Na verdade, uma facilidade que as polícias poderiam encontrar comprando equipamento internacional. Isso obrigaria as fábricas nacionais a aumentarem seu padrão, melhorarem suas linhas de produção”
Já para o coordenador de segurança Humana da ONG Viva Rio, coronel Ubiratan Ângelo ex-comandante Geral da PM, é fundamental que o policial confie na arma que está usando para realizar um bom trabalho na rua. “A arma na mão do policial tem que ser uma arma extremamente eficaz. Pra que ele confie na arma e atire menos. Consequentemente se a arma traz problemas, ele fica mais exposto à vitimização e mais proposto à letalidade”, afirmou.
Alexandre Castro e outras vítimas de disparos acidentais fazem pressão para que a câmara dos deputados discuta uma mudança na legislação, e as armas estrangeiras possam ser vendidas sem restrições para a polícia no brasil.
“Creio que seja o pontapé inicial pra gente mudar essa legislação nefasta que está acabando com vida de policiais e profissionais de segurança pública por aí à fora”, afirmou Alexandre.
Em nota, a Taurus informou que está passando por uma reestruturação para a melhoria dos processos de qualidade. E ainda disse que todas as armas produzidas pela Taurus, incluindo as que foram testadas pela Polícia Civil do Rio já passaram ou estão passando por uma avaliação rigorosa. Portanto. Segundo a Taurus, não existe problema técnico nas armas.

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