sexta-feira, 8 de julho de 2016

Cel Erir parte para o confronto e se diz aliviado por não encontrar Beltrame

Acusado pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Eduardo Oberg, de fazer acordo com integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) para manter a ‘paz’ nas cadeias, o secretário de Administração Penitenciária, Erir Ribeiro Costa Filho partiu para o confronto ontem contra o magistrado e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Sem conseguir segurar o choro durante depoimento à Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa (Alerj), Erir Ribeiro negou ter proposto uma reunião na cela B7 da Penitenciária Doutor Serrano Neves, Bangu 3, com uma ‘comissão’ de presos, como consta relatório da VEP publicado ontem com exclusividade pelo DIA. Ele afirmou que vai processar Oberg.



O objetivo do encontro entre Beltrame e detentos, segundo o documento, seria impedir a transferência de 15 internos para presídio federal que comemoraram o resgate de Nicolas Labre de Jesus, o Fat Family, dia 19, no Hospital Souza Aguiar. “Domingo (dia da fuga do criminoso), o doutor Beltrame ligou para mim. Ele falou assim: comandante, vê o que o senhor pode apurar no sistema. E me convidou para almoçar na segunda. Deus é tão bom para mim que foi cancelado. Se tivesse ido, iam dizer que naquele almoço eu fiz a proposta”, desabafou Erir Ribeiro. E emendou: “Não sei com quem estou lidando”. Procurado, Beltrame informou através de sua assessoria de imprensa que não iria se pronunciar.
Erir Ribeiro garantiu aos deputados que já pediu explicações por ofício a Oberg e que vai processá-lo. “Sou o secretário de direito, de fato é a VEP. Há total interferência na minha administração”, protestou. O juiz não recuou. Alegou que os processos investigatórios com relação à secretaria correm em segredo de Justiça e continuarão sendo apurados. “O tempo da política é diferente do tempo do Judiciário”, justificou em nota divulgada pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça.

Segundo o juiz, a investigação conta com provas técnicas e documentais robustas e outras a serem produzidas. E enfatizou que não há nada a temer em relação ao que foi dito no relatório. De acordo com o magistrado, a VEP atua como órgão fiscalizador e disciplinador do sistema penitenciário, responsável por apurar irregularidades e punir os responsáveis, se for o caso.

Na Alerj, Erir Ribeiro obteve o apoio da maioria dos parlamentares e a audiência pública ganhou tom de desagravo. “Esse juiz é irresponsável”, esbravejou Paulo Ramos, do Psol. Iranildo Campos, do PSD, fez elogios e defendeu que o secretário deveria andar com porrete no complexo penitenciário de Bangu para dar pauladas nos detentos. O rompante foi reprovado pelo deputado Marcelo Freixo. Ele lembrou que tortura é crime.

Mistério sobre suspeita em relação ao juiz da VEP

Nem sempre a relação de Erir Ribeiro Costa Filho com o juiz titular da VEP foi marcada por posições opostas. O secretário fez questão de revelar que em maio, quando Oberg chegara de viagem dos Estados Unidos, recebeu do magistrado três garrafas de uísque. Perguntado sobre o que houve para o juiz passasse a acusá-lo, foi lacônico: “Tenho uma suspeita, mas não sei se devo falar em respeito ao Judiciário. Posso falar o dia em que o juiz estiver presente”, declarou.

A Comissão de Segurança da Alerj vai convidar Oberg para uma audiência pública. “O dia que for marcado com o doutor Oberg, eu venho aqui estando ou não secretário”, afirmou. Mas há a possibilidade de o magistrado ser ouvido pelos parlamentares no Tribunal de Justiça. O secretário contra-atacou a acusação de Oberg de que não queria a transferência de seis lideranças do CV, em dezembro. “Presos não podem ficar em Bangu 1 seis meses se não houver uma medida disciplinar. Isso também não pode pela LEP (Lei de Execuções Penais. O secretário não vê facções”, declarou admitindo que fala com os presos. “Não fico sentado na cadeira”, acrescentou.

Erir Ribeiro admitiu que houve falha durante a transferência dos 15 presos no dia 21, acusados de terem relação com o Fat Family. Ocorreram atrasos, como denunciou Oberg. “Houve erro administrativo, mas que não prejudicou. No aeroporto, eles ficaram um tempão esperando a aeronave”, argumentou. Erir Ribeiro reclamou que foram feitos 159 pedidos de autorizações para presos irem trabalhar, mas até agora só foram autorizados 12. “Falaram que o presídio federal é o mais seguro, mas presos fugiram. Se isso acontecer no Rio, acabou o Erir Ribeiro Costa Filho.

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