domingo, 17 de julho de 2016

Comandante do batalhão de Niterói completa um ano no cargo em meio a desafios

Fernando Salema chega a marca com a tarefa de conter índices


Ao completar hoje um ano no comando do 12º BPM (Niterói), o coronel Fernando Salema vive seu momento mais complicado no cargo: vendo os índices criminais subirem de maneira expressiva desde janeiro, ele convive com as dificuldades causadas pela crise do estado: vem perdendo efetivo e não conta mais com policiais contratados por meio do Regime Adicional de Serviço (RAS). Por outro lado, conviveu com polêmicas, como a controversa presença em um evento político do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC).

Querido pelos subordinados, Salema assumiu o 12º BPM cercado de expectativas. Nos primeiros meses de gestão, colecionou resultados positivos, com redução de grande parte dos índices criminais. Isso começou a mudar em janeiro: foram 21 mortes só na cidade de Niterói, boa parte delas relacionada à guerra entre facções por pontos de venda de drogas na Zona Norte. Os assaltos e tiroteios em Santa Rosa também provocaram desgaste. Segundo ele, atuar em Niterói é um desafio maior do que suas experiências anteriores como comandante, em Itaboraí e São Gonçalo.

— Os índices não são maiores do que em outros locais, mas a repercussão de tudo que acontece aqui é grande — diz.

Ele também rejeita as críticas pelo elevado número de operações que, segundo alguns niteroienses, provocam trocas de tiros sem resultados. Para Salema, as ações são uma estratégia para reduzir os roubos.

— O marginal não tem ideologia. Não são operações só para reprimir o tráfico de drogas. A gente já observou que tem certos horários, de manhã e à noite, em que marginais praticam esses roubos de rua. Então, essas operações são para impedir que eles saiam das comunidades — explica, destacando que a unidade apreendeu 1.029 carros e 1.133 motos durante sua gestão.

Evento com Bolsonaro

Uma das polêmicas de sua gestão foi a participação em um evento em homenagem ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), conhecido por atacar minorias. Ele responde a um processo no Conselho de Ética da Câmara por dizer à deputada Maria do Rosário (PT-RS) que só não lhe estupraria porque ela não merecia. Fardado, Salema foi convidado para compor a mesa e entregou um certificado ao parlamentar. A ação foi alvo de um questionamento formal por parte da bancada do PSOL, na Alerj. Ele se defende, dizendo que a participação não foi planejada.

— Recebemos uma demanda de policiamento pela presença do deputado na cidade. Paralelamente, recebemos informações sobre manifestações contrárias. Fui para ver o policiamento na parte externa. E como havia participado, tempos atrás, de uma solenidade no batalhão em que o filho dele, Flavio, foi convidado, ao saber que ele também viria a Niterói, eu fiz o diploma, que é algo que eu faço sempre. Não foi algo planejado — afirma.

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