terça-feira, 26 de julho de 2016

Niterói: Hospital da PM pede socorro


O Hospital da Polícia Militar de Niterói (HPM) sempre foi uma referência aos militares e seus familiares para atendimento ambulatorial, atendimento de emergência e para a realização de cirurgias. Além de atender pacientes de Niterói, o hospital localizado em Santa Rosa recebe pacientes de diversas regiões do Estado do Rio de Janeiro, principalmente da Região dos Lagos. Porém, devido à grave situação financeira do Estado do Rio de Janeiro, o HPM encontra-se com a sua unidade de emergência fechada. Os pacientes do Centro de Tratamento Intensivo (CTI) também estão sendo remanejados para outros hospitais. Muitos pacientes também reclamam da demora e do adiamento na marcação de consultas e exames.

Nesta segunda-feira (25), pacientes de diversas partes do Estado do Rio de Janeiro saíram da unidade, muitas vezes, sem conseguir solucionar seus problemas.

Segundo uma funcionária, que preferiu não se identificar, a unidade de emergência do Hospital já está desativada, sendo todos os atendimentos emergenciais encaminhados ao Hospital Geral da Polícia Militar (HGPM), no Rio de Janeiro. Ainda de acordo com a funcionária, a pretensão da diretoria é aumentar o atendimento ambulatorial e o número de cirurgias de pequeno porte, enquanto os pacientes do CTI são transferidos.

O sargento José de Mattos mora na Região dos Lagos e alega que o fechamento da emergência causará um transtorno muito grande para os pacientes.

“Moro em Saquarema e este hospital sempre foi a minha referência. O atendimento daqui sempre foi muito bom, em todas as áreas. Hoje eu vim apenas ao dentista, graças a Deus não precisei de emergência. Já cheguei a usar o pronto-atendimento daqui, e sei que se eu precisasse usar hoje, seria um transtorno. Com o fechamento, terei que me deslocar até o Hospital Central da Polícia, lá no Estácio, na capital. Além de ser muito longe, lá sempre está lotado. É inviável sair da Região dos Lagos para enfrentar uma fila de mais de 150 pessoas na emergência no Rio de Janeiro”, declarou o sargento reformado de 78 anos.

Já Anderson Ferreira, morador de São Gonçalo, destaca que tomou um tiro e precisou se deslocar até o HGPM, no Rio, já que não havia atendimento de emergência no HCM.

“O atendimento da emergência antes já era horrível, pois muitas vezes havia apenas um médico para atender a todos os pacientes. Hoje em dia, se eu precisar, sei que não tenho pra onde ir. Tomei um tiro ao reagir a um assalto e precisei ir para a emergência do HGPM, no Estácio. Agora vou ter que ir pro Rio sempre que precisar de pronto-atendimento, e lá é muito mais cheio do que aqui. Aqui em Niterói estou fazendo apenas o tratamento ambulatorial, e já ouvi falar até em fechamento do hospital”, afirmou o militar de 42 anos.

O subtenente Vanderlei Ribeiro, presidente da Aspra (Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares), afirmou que a associação é terminantemente contra as medidas adotadas referentes ao fechamento da unidade de emergência do HPM.

Ainda segundo a Aspra, foi encaminhado um expediente para o Ministério Público Estadual pedindo uma investigação em todo o sistema financeiro da PMERJ, além de outros dois expedientes para o Ministério da Saúde e para o Conselho Regional de Medicina; o primeiro com o objetivo de tomar providências referentes à entrada da verba federal, e o segundo pedindo uma maior e mais eficaz fiscalização do atendimento médico do hospital.

A Diretoria Geral de Saúde (DGS) informou, por nota, que está sendo feita uma readequação no Hospital da PM de Niterói (HPM) para que a Unidade possa voltar a realizar cirurgias e atender melhor os pacientes da região. A DGS informou ainda que os atendimentos de emergência passarão a ser realizados no HCPM, no Estácio. 


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