sábado, 28 de maio de 2016

SÃO PAULO: Policiais militares relatam abandono do Estado após acidentes em serviço: "Nos tratam como máquina de salsicha"

Brigas por indenização e valor integral da aposentadoria de policiais chegam a durar anos


Foi necessária quase uma década para que André Luiz, 34 anos, conseguisse provar que precisou se afastar de seu trabalho no Corpo de Bombeiros por causa de um acidente de trabalho. Nesse período, André se virou como pode. Focou na sua recuperação e começou a estudar medicina, mas a vida nunca mais foi a mesma.
— Eu gostaria de ter o mesmo amor por qualquer outra área. Mas bombeiro é uma coisa que nasce com a gente. Toda vez que me perguntam sobre trabalho me dá vontade de chorar, porque não dá para desvincular. É difícil se reintegrar ao mundo civil nessa situação, sabendo que o dom que você tem não consegue mais ser aproveitado. O que eu sou é bombeiro. Estudo medicina, mas o que eu sou é bombeiro.


No entanto, desde 2003 André não voltou à ativa. Nessa data, o Corpo de Bombeiros foi acionado para uma ocorrência na região da Guarulhos, na Grande São Paulo. No local, havia um poço com cadáveres, a maioria de mulheres vítimas de assaltos na região. André foi ajudar na ocorrência que já estava em andamento. Ele e outros bombeiros desceram no poço para retirar os corpos.



Sem equipamento adequado, André usava uma máscara que estava com um vazamento do lado esquerdo. Mesmo assim, desceu ao poço, mas pela abertura da máscara entrou necrochorume (líquido resultante do processo de decomposição de cadáveres com alto potencial de contaminação).



O contato com o líquido fez com que André pegasse uma bactéria que o afastou para sempre do trabalho no Corpo de Bombeiros. Foram oito cirurgias na região abdominal entre 2003 e 2006 e hoje André sofre de pseudo-obstrução intestinal crônica, uma doença rara e grave caracterizada por uma disfunção intestinal



— Tive um quadro infeccioso recorrente, complicações por causa das cirurgias que causam problemas secundários e hoje tenho essa disfunção. É um quadro bem delicado.



André sofre até hoje com as sequelas do ocorrido.


— Tenho que ir ao hospital duas ou três vezes por semana, não posso comer nenhum tipo de carne, se fico muito em pé dói, muito sentado dói, muito deitado dói. Tenho que ficar revezando de posição e isso para serviço militar não tinha condição, inclusive para o trabalho burocrático.


Entre diversos afastamentos para cirurgias e recuperação, André acabou reformado em 2010.  Sem conseguir comprovar que seu afastamento ocorreu por causa de um acidente de trabalho, não recebeu indenização e nem aposentaria integral.



— Fui aposentado com valor muito inferior. Foi uma dificuldade muito grande. Cheguei a receber 13º salário de R$ 50.



Depois disso André começou uma segunda luta, dessa vez para provar que seu afastamento do serviço foi ocasionado por um acidente de trabalho e a sindicância sobre o seu caso foi reaberta em 2011.



— Essa sindicância deu muita dor de cabeça, mas os médicos acabaram todos favoráveis, tanto imunologista, patologista clínico, todos favoráveis. Mas não foi fácil.



Na época, ele recebeu R$ 70 mil de indenização e no final do ano passou a receber valor integral de aposentadoria. Por causa da sua condição de saúde precisou interromper os estudos de medicina que havia iniciado nesse meio tempo, mas em junho fará uma prova para continuar o sexto ano do curso e concluir a faculdade. Mais para frente, André tem o sonho de abrir uma instituição para crianças carentes.



Apesar de ter conseguido retomar a vida, André lamenta que a situação tenha ocorrido dessa forma.



— A gente tem uma questão da previdência que tem que ser revista, mas há um descaso com aqueles que dão a vida para salvar uma vida. Quando a gente se coloca em uma situação de risco em prol do semelhante, o mínimo que a gente espera é um direito preservado para que você tenha uma vida digna, mesmo que você saiba que pode ficar paraplégico, por exemplo, você ter a segurança que sua dignidade vai ser preservada e isso muitas vezes a gente não sente.


Situação comum


Como André, muitos militares sofrem para conseguir novas atividades após um acidente de trabalho. Fernando Capano, responsável pelo departamento jurídico da APMDFESP (Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência do Estado de São Paulo), relata que atualmente há cerca de 80 casos do tipo tramitando na Justiça somente com a associação e que essa é uma realidade comum na área. 



— Muitas ações acabam durando sete, oito até dez anos para resolver e às vezes são ações desnecessárias porque muito é evidente a situação [de acidente de trabalho]. Não estão todos os casos com a gente, mas acredito que no Estado haja hoje em uma situação semelhante cerca de 3.000 ou 4.000 famílias ou policiais afastados ainda esperando indenização.


É o caso de A.S, 32 anos. O policial da Rota voltava para casa, sem farda, depois de um dia de trabalho em 2012. Como de costume encostou o carro na frente da garagem e não precisou descer para abrir o portão, já que um vizinho e o primo estavam na rua e se ofereceram para fazer isso. Quando A. se inclinou no banco do passageiro e entregou a chave, percebeu as faíscas das balas e começaram os estalos de tiro. Tudo durou cerca de um minuto.

— Acho que foi uma sequência de 20 tiros. Deitei para o lado e continuaram a atirar. Depois, acho que pensavam que eu já estava morto, e chegaram perto só para me conferir mesmo. Levantei atirando na direção do carro deles.


A. conseguiu atingir um dos suspeitos e até então não tinha percebido que tinha sido baleado. Foram oito tiros e sérias fraturas na perna, cotovelo e ombro.



— Abri a porta para sair do carro e coloquei a perna no chão e vi que estava estraçalhada, com fratura exposta. Vi a camisa lavada de sangue, sangue no meu rosto, em tudo.



Arrastando-se no chão, ele se protegeu atrás do carro. Um dos atiradores ainda voltou para “terminar o serviço”, mas a arma não disparou. O grupo foi embora em outro carro certo de que A. morreria. Para o PM, está muito claro que ele foi vítima de um atentado do PCC.



— A Rota teve uma ocorrência alguns meses antes em que matou seis ladrões que iam fazer um resgate de um preso. Um dos que morreu morava duas ruas para cima da minha e sabia que eu era policial. Depois que ele morreu, a vida de todos os policiais virou um inferno. Eles [PCC] queriam pegar um policial. Prioridade era ser da Rota, mas podia ser qualquer um.



Depois do atentado, começou a longa fase de recuperação. Cirurgias, mais de um mês internado, cadeira de rodas, muleta, fisioterapia. Sem poder voltar para casa com medo de ser atacado novamente, A. teve que se virar.



— Fiquei sem chão, com as contas tudo lá embaixo. Estava afastado e vivendo com menos da metade do que eu ganhava antes e o governo deu as costas para mim. Quem me ajudou foi a Rota e meus irmãos de farda que faziam até vaquinha para me ajudar e complementar meu salário.



Aos poucos, A. foi retomando a vida. Conseguiu ajuda de um advogado para acompanhar seu caso, mas até hoje ainda briga pelo valor completo da indenização.



— O médico da seguradora da PM me deu 75% do valor. Só que logo depois acabou o contrato com essa seguradora e fiz uma outra avaliação e me deram 40%. E isso foi com o teto de R$ 100 mil, só que no meio do processo passou para R$ 200 mil.

A. ainda está na briga para conseguir um valor maior e não conseguiu a promoção – de acordo com lei da década de 80, em casos de acidente de serviço, o PM é reformado com um cargo acima do que estava e recebe valor proporcional a 30 anos de trabalho, mesmo que tenha atuado por menos tempo.


Hoje, A. trabalha com o vereador Conte Lopes, que o ajudou a conseguir um apartamento para morar quando ainda estava em fase de recuperação e, com medo de novos ataques, não podia voltar para a casa da família. Além disso, ele faz alguns trabalhos como segurança e espera conseguir receber o que ainda falta. 



— Estou correndo atrás de tudo que é meu. Não quero deixar nada para esses caras. O governo trata a gente como máquina de salsicha. Morreu um, tem mais mil. Não muda nada. É só um número.

Para Elcio Inocente, 65 anos, hoje presidente da APMDFESP (Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência do Estado de São Paulo), a situação foi ainda um pouco mais complicada. Na época em que foi baleado e ficou paraplégico em uma ocorrência de assalto com refém, em 1979, os policiais não tinham direito ao seguro. Ele tinha 28 anos e foi atingido por três tiros.
 Elcio Inocente foi baleado em serviço quando tinha 28 anos

— Eu tinha dois filhos pequenos. Fiquei desorientado. Tive que abrir um bar na garagem da minha casa para me manter porque eu só sabia ser policial militar. Nós temos a aposentadoria, mas são defasadas e a gente perde muito. O salário de quem está na ativa tem muito penduricalho, não conseguimos fazer o bico.


Além de precisar complementar a renda, Inocente conta que ficar sem fazer nada é muito angustiante. 

— Fiz reabilitação e, quando eu comecei a me locomover com muletas [hoje ele alterna a cadeira de rodas e muletas], eu sentia necessidade de ter uma função.


Em 1997, Inocente começou as atividades na associação, onde está até hoje. Entre os trabalhos que o grupo desenvolve está atendimento psicológico para os policiais e para as famílias assim como um esforço para tentar recolocar o PM no mercado em alguma outra área.



Indenização

Em nota enviada ao R7 a SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirmou que "foram pagas, no ano passado, 199 indenizações por invalidez, com um total de R$ 5.896.739,97".
Em setembro de 2013, o governador Geraldo Alckmin regulamentou a lei que dobra o valor de indenizações aos familiares de policiais mortos no Estado de São Paulo. Com a aprovação, que também contempla casos de invalidez, o teto do seguro passa a ser de R$ 200 mil — o anterior era de R$ 100 mil.


De acordo com informações publicadas no site da SSP, "para a indenização ser paga, o decreto prevê uma investigação preliminar instaurada pela respectiva secretaria a qual o funcionário esteja atrelado. Se a apuração preliminar constatar que a morte ou a invalidez aconteceram em serviço, no deslocamento ao trabalho ou ainda nas folgas, mas em razão da função pública, o processo terá continuidade. Também deve ser descartada qualquer conduta ilícita do servidor".


sexta-feira, 27 de maio de 2016

Concursados da Polícia Civil recusam proposta do governo de assumirem cargos apenas em setembro


Os 284 oficiais de cartório da Polícia Civil aprovados em concurso e que aguardam convocação não aceitaram a proposta feita pelo governo do estado de que assumam somente em setembro, após os Jogos Olímpicos. A oferta foi recusada ontem, após uma reunião na Alerj. No ano passado, o Estado se comprometeu a convocar os aprovados por turmas, após a intermediação de deputados estaduais.
Desde janeiro, turmas de 150 oficiais assumem seus postos. Em maio, porém, isso não ocorreu. Os oficiais querem tomar posse já em 1º de agosto, enquanto a Alerj tenta costurar um novo acordo. Segundo parlamentares, uma nova reunião entre os concursados e o governo está marcada para o dia 11 de junho.

Câmara aprova projeto que estipula carga horária máxima para PM e bombeiro


Um projeto de lei que assegura carga horária máxima de trabalho de 120 horas mensais a policiais militares e bombeiros militares dos estados e do Distrito Federal foi aprovado ontem pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados. 
O texto, que altera a Lei de Reorganização da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, também estabelece a remuneração em dobro em feriados trabalhados. 
O projeto, que já foi aprovado pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

domingo, 22 de maio de 2016

Governo do Rio confirma que adiantar parcela do 13º salário não está nos planos

O governo do estado não pensa em adiantar a primeira parcela do 13º salário de 468 mil servidores públicos (incluindo aposentados e pensionistas) com direito ao benefício em 2016, como vinha acontecendo nos últimos anos, sempre em julho. A informação foi dada pelo ainda secretário de Planejamento, Francisco Caldas, que deverá deixar o cargo nos próximos dias, por conta da fusão de sua pasta com a Secretaria de Fazenda.

— Não estamos pensando nisso. O foco é pagar o salário de maio. Vale lembrar que houve uma época em que o governo pagava o 13º integralmente em dezembro. Quando o Estado teve uma colher de chá fiscal, ficou decidida, como maneira de premiar o servidor, a antecipação da primeira parcela para julho. Mas voltamos a entrar numa situação difícil, e nossa preocupação exclusiva é fechar a folha de maio, o que está muito difícil — disse Caldas

A Secretaria de Fazenda confirmou que não há qualquer previsão sobre o adiantamento da parcela do 13º salário. Tanto é que a antecipação não está prevista no calendário formulado pelo governo. Em 2015, o Estado conseguiu antecipar a primeira parcela em julho. No fim do ano, porém, não pôde arcar com a segunda parte do benefício. Os servidores tiveram que lidar com o parcelamento do abono em cinco vezes, de dezembro a abril de 2016. Os que precisavam com urgência do pagamento recorreram ao adiantamento via empréstimo consignado do Bradesco, com encargos custeados pelo governo.

Sobre a folha de maio, marcada para ser quitada até o dia 14 de junho, Caldas confirmou que também não há qualquer previsão de como se dará o pagamento:

— Ainda não temos uma posição sobre o pagamento do próximo mês. Fizemos um esforço muito grande para fechar abril. Como ficará o pagamento dos servidores? É uma questão de Tesouro, mas estamos procurando maneiras de fechá-la integralmente. A nossa ideia é pagar a todos, ativos e inativos, mas insisto, ainda não tenho esta resposta.

A expectativa do governo é ter uma previsão mais concreta sobre a folha de maio ao longo da semana.

O drama do estado e as alternativas

Salário de maio

O governo deve ter as primeiras projeções sobre o quanto terá que dispor para arcar com a folha de maio durante a próxima semana. Do governador Francisco Dornelles aos secretários, o discurso é o de que haverá “extrema dificuldade” de pagamento.

Repasse aos poderes

A partir desta semana, começará a correr o prazo para que sejam feitos os repasses constitucionais aos poderes. O Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), o Ministério Público do Rio (MP-RJ) e a Defensoria Pública aguardam as transferências. Para quitar os salários de abril, os três entes garantiram suas parcelas por meio de medidas judiciais. Os órgãos têm que pagar seus servidores até o último dia útil do mês trabalhado. Já o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que também têm direito aos repasses, aceitaram o pedido do governo e devem aguardar até o 10º dia útil do mês seguinte ao trabalhado.

Parcela do 13º salário

Como revelaram o secretário Francisco Caldas e a Secretaria de Fazenda, não há qualquer previsão de adiantamento da primeira parcela do 13º salário. A maior preocupação do governo é pagar os salários mês a mês. Caldas lembrou que o adiantamento foi uma “colher de chá” dada aos servidores enquanto a economia oferecia condições para isso.

Mudanças no Executivo

O governo mostrará, nos próximos dias, quais serão as mudanças feitas nas secretarias. A ideia é fundir pastas, como é o caso da Fazenda e do Planejamento, e incorporar determinados setores a secretarias maiores. Outra opção é a fusão de empresas públicas.

Corte de comissionados

Segundo o governo, apenas 14 mil funcionários podem ser exonerados hoje. Deste total, uma parcela é considerada de “extrema importância”. Ao EXTRA, o secretário de Planejamento, Francisco Caldas, disse que a economia com o fim destes cargos seria pequena diante do rombo de R$ 20 bilhões no orçamento.

Especialização

A estimativa é que, por ano, sejam gastos cerca de R$ 580 milhões com cargos comissionados. O total refere-se aos 14 mil cargos, número apresentado pelo governo. Secretarias ainda reforçam que, neste grupo, há funções que poucos servidores conseguiriram realizar, caso da área de Tecnologia da Informação.

Reestruturação

O segundo passo para a reestruturação prevista pelo governo é enviar à Alerj, nos próximos meses, uma proposta sobre a reorganização do funcionamento de fundações e autarquias. O projeto será semelhante ao enviado no início do ano à assembleia. Desta vez, promete o governo, o texto incluirá a economia com os cortes.

Aumento das contribuições

O aumento da contribuição previdenciária por parte dos servidores — de 11% para 14% — voltará a ser discutido na Alerj nos próximos meses. A Secretaria de Planejamento confirmou que essa questão é de extrema importância para dar fôlego ao Rioprevidência: “O que queremos discutir não é se está certo ou errado. Estamos diante de um problema e falamos sobre a sustentabilidade previdenciária. Independentemente do futuro, isso garantirá mais recursos para a Previdência”, disse Francisco Caldas.

Reajustes

Sobre possíveis aumentos salariais, a previsão não consta do planejamento do governo do estado até 2019. O Executivo reforça que essa previsão acontece tendo em vista a manutenção do nível de receitas. Em entrevista recente ao jornal “O Globo”, o governador em exercício, Francisco Dornelles, reforçou que não há possibilidade de oferecer um aumento aos professores estaduais. A categoria cobra um reajuste para encerrar a greve que dura quase três meses (a paralisação teve início em 2 de março).

Lei de Responsabilidade fiscal (LRF)

O momento é de “racionalidade” segundo integrantes do governo. O Estado vai analisar o comprometimento da Receita Corrente Líquida em junho para saber se o Rio vai ultrapassar o limite de 49% de gasto com pessoal. O detalhe é que, a partir de junho, o Estado vai incluir na conta os gastos feitos pelo Tesouro Estadual com o Rioprevidência. Até 2015, segundo dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), o comprometimento da folha com pessoal chegava a 33,48%. A análise é usada por categorias de servidores para questionar a intenção do governo de seguir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

As medidas da LRF

A LRF prevê, inicialmente, o corte de 20% dos cargos comissionados. Caso a medida não diminua a parcela da receita gasta com pessoal, o próximo passo é demitir funcionários sem estabilidade. A última opção prevista na lei é a exoneração de servidores ativos.

Questão jurídica

Chefe de Planejamento, Francisco Caldas adiantou que “tudo é inédito” a respeito das questões da LRF. Um tema que suscita dúvidas refere-se aos cargos “sem estabilidade”. Aqui entram os servidores temporários e, segundo Caldas, há uma avaliação de que os em estágio probatório possam ser enquadrados na categoria. O secretário, porém, reforçou que tudo será esclarecido pela Justiça.

Contrapartida

Está em discussão, em Brasília, o projeto de lei de refinanciamento das dívidas dos estados. Neste projeto, estão previstas contrapartidas estaduais que afetam o funcionalismo. As assembleias estaduais terão de discutir projetos que aumentam a contribuição previdenciária dos servidores. Além disso, os governos estaduais terão de suspender a admissão e a contratação de pessoal, até mesmo de empresas públicas. Outra proibição será o congelamento de salários.

Movimento de servidores

Diante da situação vivida pelo Estado do Rio, os servidores fluminense iniciaram, na semana passada, a campanha “Luto pelo Rio”. A ideia é distribuir fitas pretas à população e mostrar os problemas vividos pelos funcionários públicos. As categorias que encerraram greves recentemente prometem novas ações, caso aconteçam atrasos.

Um policial é assassinado no Rio a cada 4 dias



A cada quatro dias um policial foi morto no Rio neste ano. Foram pelo menos 36 policiais militares e 3 civis, até 13 de maio. Do total de PMs, 10 estavam trabalhando e 26, de folga. No ano passado.de janeiro a novembro, 85 policiais morreram; 20 PMs em serviço. O crescente número de policiais assassinados levou à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pela Assembleia Legislativa para investigaras causas das mortes. 
A Secretaria de Segurança e a Policia Militar anunciaram medidas para enfrentar o problema. Os dados de mortes em 2015 foram contabilizados pelo blog Pauta do Dia,que faz levantamento independente sobre violência contra policiais desde 2009. com base em boletins médicos e informações repassadas pelos próprios policiais, e é uma das fontes da CPI. 
Só nos primeiros oito dias de maio. seis policiais morreram em confrontos e assaltos. O Rio de Janeiro foi o Estado em que mais policiais foram mortos, apontou o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2015,0 recrudescimento da violência contra policiais acontece a despeito da Lei Federal 13.142. sancionada no ano passado, que tomou crime hediondo e qualificado o assassinato de policiais no exercício da função ou cm decorrência dela. 
"É uma tragédia. O que está por trás é o modelo de segurança pública com base no confronto. A visão não é de controle da criminalidade, mas de eliminação do inimigo. As autoridades não se convencem de que esse modelo faliu. A policia mata. morre e não tem o reconhecimento da população", afirmou o deputado Paulo Ramos (PSOL). coronel reformado da PM fluminense e presidente da CPI. Ele se referia a comentário recente do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, sobre mortes de policiais. Beltrame alertou: "As pessoas que atirarem cm policiais vão levar tiros também."



UPP social
Para o antropólogo Paulo Storani, ex-oficial do Batalhão dc Operações Especiais (Bope) e pesquisador da Universidade Cândido Mendes, o modelo de policiamento das Unidades de Policia Pacificadora (UPPs) não cumpriu o que prometeu porque "a polícia ficou sozinha no processo". "Era para haver também a UPP social. Isso não aconteceu e houve o retorno do criminoso para suas áreas. Mas de uma forma mais violenta. E ele encontra nessas regiões o policial preparado para a policia de proximidade, para mediar conflito. É um policial menos preparado para o confronto." 

A coordenadora das UPPs, major Pricilla Azevedo, nega que esteja ocorrendo "retomo dos criminosos". "Infelizmente, há um problema social e áreas com maior incidência de confronto." Em audiência na Assembleia, o chefe de gabinete do comandante-geral da PM. coronel Victor Yunes. atribuiu as dificuldades enfrentadas pela corporação ã crise financeira que atinge o Estado. "Temos dificuldades porque não estamos recebendo os repasses necessários. Precisamos que os recursos sejam tornados disponíveis para melhorar o serviço." 
Para aumentar a segurança dos policiais. Beltrame anunciou que vai transferir para áreas de UPP cabines blindadas, que permitirão o monitoramento sem a exposição do PM. E os fuzis serão trocados por carabinas em áreas dc grande aglomeração, para reduzir o número de balas perdidas. 

Bandidos matam PM sem farda e ameaçam família 
O cabo Luiz Carlos Dentino Barbosa Júnior, de 33 anos, estava na frente de um borracheiro, perto de casa, no bairro de Guadalupe, na zona norte, quando um "bonde" passou. Os criminosos pararam e anunciaram o assalto. Mas o cabo, criado no bairro, foi reconhecido como policial militar. Morreu no local, com um tiro na cabeça. 
No mesmo dia, os criminosos invadiram a casa dele, levaram objetos de valor e deixaram um recado para a viúva com os vizinhos: que a família não voltasse. "Minha casa era própria. Agora está alugada. Tenho medo de ir lá até para cobrar o aluguel A polícia nunca fez nada", conta Yasmin Ceres Saldanha, hoje com 29 anos, que na ocasião se mudou com os filhos pequenos, com 2 e 3 anos, para a casa da mãe. 
Ela e Barbosa Júnior moravam juntos havia cinco anos. Mas nunca oficializaram a relação. Por causada burocracia, ela não consegue receber como pensionista. "Meus filhos recebem, mas o beneficio vai acabar quando eles tiverem 18 anos. Tenho de entrar na Justiça para ser reconhecida como viúva." 

Viúva denuncia falta de preparo e uso de arma velha 
Fabiana diz que revólver de seu marido, o soldado Thiago Machado Costa, falhou durante troca de tiros com assaltantes.
Na madrugada de 6 de abril, o soldado Thiago Machado Costa, de 31 anos, patrulhava o Morro Boa Vista, em Niterói, no Grande Rio, quando foi avisado que bandidos em um Corolla preto cometiam assaltos. Dois carros do 12." Batalhão foram ao local. Houve troca de tiros. Costa fez quatro disparos e a arma dele falhou, afirma a viúva, a publicitária Fabiana da Cunha Almeida, de 43 anos. "Os colegas contaram que as quatro armas dos policiais falharam. Nenhum tinha fuzil", disse Fabiana. Campeão estadual de kickboxing. Costa foi baleado na cabeça. 
Morreu seis dias depois. Se sobrevivesse, o PM ficaria com sequelas irreversíveis, mas Fabiana fala que tinha esperanças. Segundo ela, o marido foi tratado "como lixo" no hospital. "O bocal do respirador nunca foi trocado, o que abriu caminho para uma pneumonia. Ele perdeu muito sangue e precisava de transfusão. Mais de 400 pessoas apareceram para doar sangue, mas ele não recebeu nenhuma bolsa. Simplesmente não se entendiam sobre o melhor momento da transfusão", disse em depoimento à CPI da Assembleia Legislativa. 
Fabiana se queixa da falta de preparo. "Thiago estava formado havia cinco anos e só recebeu treinamento quando entrou na polícia. Por duas vezes praticou tiro em estande particular. As armas estão velhas. Bandidos estão mais bem armados". 

Apuração. 
O Estado procurou a Secretaria de Segurança. Ela informou que "na ocasião, o diretor do Hospital da PM ficou em contanto constante com um diretor do Hospital Azevedo Lima". A PM afirmou que presta toda a assessoria à família do soldado. "Quanto ao fato de a arma ter falhado foi aberta uma apuração".





sexta-feira, 20 de maio de 2016

Fabricante de armas usadas pela polícia vira alvo de reclamações

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A principal fabricante de armas usadas pela polícia do Brasil é alvo de reclamações de vários agentes policiais. A Polícia Civil do Rio testou várias pistolas dos modelos mais usados pelos policiais. Entre os defeitos denunciados estão até mesmo disparos acidentais. Com um movimento simples, a arma dispara sozinha, segundo o resultado da perícia da Polícia Civil, como mostrou, com exclusividade, a GloboNews.
Uma arma modelo PT 100, da fabricante Taurus, foi comprada por um policial civil do Rio neste mês. Em tese, a empresa responsável testou a arma, que deveria estar perfeita e pronta pra uso. No entanto, a arma apresenta falhas grosseiras na confecção. A mais grave delas é o erro de alinhamento da munição com o cano.
"E eu acho que se eu fosse usar essa arma imediatamente eu estaria imediatamente morto, porque ela não vai funcionar. Talvez se você fosse atirar talvez travaria aqui e você teria que sacudir pra jogar a munição fora. Nisso, eu já tomei uns 5, 6 tiros", afirmou o policial que comprou a arma. Ele listou os defeitos da pistola, fez uma queixa na Delegacia do Consumidor e quer uma indenização pelo risco que poderia ter ao usar a arma.
"Comecei a pesquisar na mídia de um modo geral e vi que várias pessoas tiveram problemas de armas, inclusive modelos idênticos ao modelo que eu tenho, que tiveram problemas. De armas muitas vezes ela simplesmente se desintegrar".
Em 2013, um policial militar de Goiânia deixou cair no chão uma pistola da Taurus, que disparou e o atingiu. Ele acabou perdendo o movimento da perna direita e, nesta semana, passou pela quinta cirurgia. "Quando a minha arma caiu não era pra ter disparado de forma alguma. E ela disparou", lamentou o policial militar Alexandre Castro.
Alexandre criou um site chamado "vítimas da taurus" e começou a reunir histórias parecidas com a dele. A página mostra flagrantes de falhas grosseiras nas armas dessa fabricante. Num deles, um homem tenta atirar várias vezes e a arma falha. Em outro vídeo, dá pra ver que é só sacudir a pistola que os tiros saem.
Só no Rio de Janeiro, as armas da empresa Taurus são usadas por cerca de 35 mil policiais civis e militares. A Polícia Civil do rio fez um teste pra avaliar a eficiência das pistolas e separou lotes de dois dos modelos mais usados por policiais civis e militares no estado. A perícia aconteceu nos dias 31 de março e 1º de abril e agora saiu o resultado. Das 55 pistolas testadas, todas compradas há no máximo de 2 anos pela polícia civil, 36 apresentaram problemas.
Primeiro foram testadas 35 pistolas da Taurus, modelo PT 940. Dessas, 20 apresentaram pelo menos uma falha. A segunda perícia foi feita em pistolas Taurus, do modelo PT 840. Das 20 pistolas testadas, 16 apresentaram problemas.
Em 2009, a secretaria de segurança do rio investiu R$ 6 milhões na compra de mais de 1,3 mil carabinas da Taurus. Mil delas apresentaram problemas e a troca das armas defeituosas só acabou neste ano.
No Brasil existe uma lei que determina que a polícia só compre armas fabricadas no país, a menos que haja um modelo lá fora que não tenha um similar aqui dentro. Mas o Brasil tem só duas fabricantes e é justamente a Taurus que produz os modelos mais voltados para o trabalho da polícia nas ruas.
O problema é que as armas dos criminosos não se restringem às fabricadas aqui no país e aí eles podem levar vantagem num confronto.
Para o especialista em segurança Paulo Storani, a liberação para a compra de arma no exterior de certa forma obrigaria as empresas nacionais a aumentar o padrão de qualidade. “O criminoso ele vai conseguir uma arma com muito melhor qualidade e com muito mais facilidade. Na verdade, uma facilidade que as polícias poderiam encontrar comprando equipamento internacional. Isso obrigaria as fábricas nacionais a aumentarem seu padrão, melhorarem suas linhas de produção”
Já para o coordenador de segurança Humana da ONG Viva Rio, coronel Ubiratan Ângelo ex-comandante Geral da PM, é fundamental que o policial confie na arma que está usando para realizar um bom trabalho na rua. “A arma na mão do policial tem que ser uma arma extremamente eficaz. Pra que ele confie na arma e atire menos. Consequentemente se a arma traz problemas, ele fica mais exposto à vitimização e mais proposto à letalidade”, afirmou.
Alexandre Castro e outras vítimas de disparos acidentais fazem pressão para que a câmara dos deputados discuta uma mudança na legislação, e as armas estrangeiras possam ser vendidas sem restrições para a polícia no brasil.
“Creio que seja o pontapé inicial pra gente mudar essa legislação nefasta que está acabando com vida de policiais e profissionais de segurança pública por aí à fora”, afirmou Alexandre.
Em nota, a Taurus informou que está passando por uma reestruturação para a melhoria dos processos de qualidade. E ainda disse que todas as armas produzidas pela Taurus, incluindo as que foram testadas pela Polícia Civil do Rio já passaram ou estão passando por uma avaliação rigorosa. Portanto. Segundo a Taurus, não existe problema técnico nas armas.

Governo estuda descontar 10% no salário do Servidor


Como se não bastassem as agruras dos 480 mil funcionários com atrasos nos vencimentos, a Secretaria estadual de Fazenda tem proposta para tomar emprestado dinheiro do servidor. Os descontos compulsórios atingiriam até aposentados, pensionistas e prestadores de serviços. Objetivo é cortar R$ 3,6 bi ao ano com a folha. Dinheiro seria devolvido. 

O FUNDO DO SALÁRIO 
Para diminuir os gastos com a folha de pagamento, a Secretaria Estadual de Fazenda estuda a criação de um empréstimo compulsório sobre os salários de todos os funcionários — ativos e inativos — e prestadores de serviço. A proposta ainda será levada ao governador em exercício, Francisco Dornelles. 
O dinheiro descontado — cerca de 10% do salário — iria para um fundo administrado pelo próprio governo. Os valores seriam entregues aos servidores apenas quando as finanças do estado estivessem equilibradas. 
Diferença 
O compulsório apenas amenizaria o problema. Com salários de servidores e comissionados, o governo gasta R$ 36,5 bilhões por ano — uma economia de 10% representaria um corte de R$ 3,6 bilhões. O déficit do estado — a diferença entre o dinheiro que entra e o que sai — chega a R$ 18 bilhões anuais. 
Pouco efeito 
No início de junho, Dornelles anunciará uma redução drástica no número de comissionados, mas o impacto nas finanças será pequeno. Por ano,os gastos com todos esses profissionais não ultrapassa R$ 500 milhões. 
Demissão de estáveis 
O governo não descarta demitir funcionários está- 
veis, medida permitida quando despesas com a folha ultrapassam o limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. 

Informe do dia - Fernando Molica

quinta-feira, 19 de maio de 2016

BELTRAME DIZ: "TEM GENTE NA PM QUE FAZ CORPO MOLE "


José Mariano Beltrame está preocupado. Segundo avaliação do próprio secretário de Segurança do estado do Rio, os indicadores de segurança de abril, que ele recebeu esta semana do Instituto de Segurança Pública (ISP), estão “péssimos”. Em relação a abril do ano passado, os homicídios dolosos (com intenção de matar) aumentaram 38,9% e os roubos de rua, 29,4%. Já é o terceiro mês seguido de piora nos principais índices. Em seu gabinete no Centro Integrado de Comando e Controle, na Cidade Nova, Beltrame afirmou, em entrevista ao EXTRA, que a polícia está desmotivada pelos atrasos nos pagamentos dos agentes, reconheceu “problemas” nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e reclamou que “tem gente na PM que não abraçou” as UPPs.

Os principais indicadores pioraram no estado. Por quê?

A crise econômica atingiu bastante a segurança. Tivemos uma diminuição de efetivo policial sem o pagamento do RAS (Regime Adicional de Serviço), de 300 a 400 homens a menos por dia. Quase um terço da frota da Polícia Civil não sai para as ruas por economia de combustível. Mas um aspecto forte é a desmotivação dos policiais, que não recebem em dia, não receberam o 13º, pararam de receber o RAS e estão há três semestres sem receber pelo sistema de metas. Isso faz uma diferença enorme.

Há problemas de gestão nas polícias?

Claro que tem. Numa série de lugares, tínhamos um olhar, agora temos que ter outro. Os números aumentaram muito em São Gonçalo, Queimados, Rio das Ostras, Campos. São Gonçalo sempre foi um problema, mas agora extrapolou. Mas nesses outros lugares, vamos ter que mudar nossa estratégia de policiamento. Não vão mudar as pessoas, mas vamos olhar de forma diferente. Nesse momento, representantes das polícias Civil e Militar estão reunidos para estancar esse pico nos indicadores.

Tiroteios são diários em áreas com UPPs, sete anos depois do início do projeto. Por quê?

Nós temos lugares com problemas. Fizemos trabalhos recentes no Jacaré, no Chapéu-Mangueira e na Providência. Nos dois últimos, a situação está controlada, mas ainda há traumas do nosso trabalho ali. Mas vou te dizer algo: se ninguém persuadir a juventude, deixar a juventude ocupada, se outros poderes não entrarem ali, esses problemas vão voltar, tudo vai acontecer de novo.

Há três semanas, o EXTRA mostrou que dois terços dos tiros dados pela polícia em áreas consideradas pacificadas são de fuzil. Por que essa situação se mantém?

Não vou garantir que não vai ter fuzil nessas áreas. Não há como dizer isso. Não há como dizer que não vai ter tiro no Alemão, na Rocinha, no Fallet. O que há é a falta de PMs em certos lugares. Temos carência de policiamento em algumas UPPs, mas vamos tentar recuperar com a formatura dos praças que estão no curso de formação. Mas não tem como dizer que não vai ter mais arma nesses lugares.

O senhor acredita que a polícia não realiza alguns projetos propostos pela secretaria?

Eu acho que pode acontecer. Qualquer instituição tem grupos. Não é toda a PM que abraçou o projeto das UPPs. Tem gente na PM que não quer UPP. Uma maioria, que já subiu morro, que já trocou tiro, que já enterrou companheiros, quer. Mas tem gente que faz corpo mole. Isso acontece em todo serviço público, mas acaba prejudicando a polícia e o serviço. Quanto maior a união, melhor o resultado.

O senhor ainda acredita nas UPPs? Acha que o projeto sobrevive ao seu período na secretaria?

Acredito, porque o Rio não vai ter outra alternativa, a não ser sedimentar esse programa. Só se, algum dia, esses locais também passarem a ser amplamente patrulhados. Enquanto esses lugares não forem abertos, o Rio não tem outra alternativa a não ser ocupar essas áreas com a polícia e com serviços.

Em entrevista recente, o senhor disse que “prender não adianta mais”. O que adianta, então?

Fazer com que as penas tenham caráter exemplar. O que adianta é o preso passar por processos de ressocialização que realmente socializem. A prisão não impõe mais respeito. É difícil falar isso. Vão falar que o Beltrame está tirando a responsabilidade dele. Absolutamente. O que eu estou vendo é que a gente prende pessoas, e o crime aumenta proporcionalmente ao número de prisões. Algo está errado. As pessoas dizem: “A polícia não funciona”. Mas temos resultados operacionais até bastante altos. Isso não está bastando.

A menos de três meses das Olimpíadas, há uma guerra de facções na Zona Norte. É possível impedir isso?

É muito difícil, porque é um problema ideológico das facções. A ocorrência desse tipo de coisa é só mais um motivo para continuarmos com o projeto das UPPs. O Playboy (Celso Pinheiro Pimenta, ex-chefe do tráfico do Complexo da Pedreira, morto em 2015) fez o que fez em área que não era pacificada. O programa não pode parar, mesmo que ainda se tenha o tráfico. Sempre disse que o tráfico não era o nosso problema. Nosso problema é a ostensividade obscena das armas, que, de certa forma, estamos neutralizando. No Juramento, a população está à mercê de uma luta de dois imperadores, o estado não está lá.

Na semana passada, o senhor prometeu como solução para a quantidade de assaltos na Linha Amarela algo que já havia proposto em 2010. Por quê?

O projeto Garupa fui eu quem trouxe para o Rio. Trouxe policiais de Goiás, onde o projeto existia, para o Rio, comprei as motos. Mas o que aconteceu: com seis motos rodando 12 horas por dia, muitas motos não estão em condições de circular. Agora, estou arrumando essas motos, comprando outras e 20 motociclistas estão sendo capacitados para ficar na Linha Amarela. Além disso, eu fui ao local onde a Ana Beatriz (Frade) foi morta. Ali é um breu, o mato é alto. Infelizmente é assim, no Rio é assim, tem esses lugares que propiciam que isso aconteça.



Os números ruins dos últimos meses desmotivam?

Não estou aqui para aparecer, para sair como vitorioso. Estou aqui porque acredito no que eu faço. O que fizemos melhorou a vida das pessoas. Estamos enfrentando problemas muito sérios. Se encararmos esses nove anos como um filme, para mim o filme é muito bom. Mas se você pegar só as fotos, só alguns momentos, você vai pegar fotos ruins. A foto de hoje é ruim.
Explosão da violência

As estatísticas de violência de abril deste ano, obtidas na íntegra em primeira mão pelo EXTRA, revelam um cenário preocupante. Entre os principais índices, considerados pela Secretaria de Segurança para a distribuição dos prêmios por desempenho aos policiais, todos apresentaram aumento de pelo menos 20% na comparação com o mesmo mês do ano passado — veja os dados completos no infográfico.

O quadro mais grave é o de letalidade violenta, que compila os casos de homicídio doloso, latrocínio (roubo seguido de morte), autos de resistência e lesão corporal seguida de morte. Foram 565 ocorrências no último mês, contra 423 em abril de 2015 — uma alta de 33,6%.

A situação é semelhante quando analisados os roubos de veículo (salto de 2.690 para 3.263, ou 21,3%) e de rua — soma dos registros de roubos a pedestre, de celular e em ônibus —, cujo crescimento foi de 29,4%, partindo de 7.077 para 9.158 casos. Considerando todos os tipos de roubo, foram 15.526 ocorrências ao longo de abril, em um aumento de 27,8%, o equivalente a uma vítima a cada menos de três minutos.

A análise isolada dos índices de letalidade violenta mostra ainda que a região de Niterói e São Gonçalo e o interior do estado foram as áreas mais atingidas pela escalada da violência. No primeiro caso, levando em conta o total de ocorrências entre janeiro e abril, o aumento foi de 34,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto no interior a subida foi de 28,%.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Famílias reivindicam direitos para os PMs


Cerca de 10 mulheres se reuniram na manhã de ontem, em frente ao 12º BPM (Niterói), para reivindicar direitos para os policiais militares do Estado. As manifestantes fazem parte do movimento “Esposas e familiares, somos todos sangue azul”.
O grupo foi criado em março, após esposas e mães de policiais serem convocadas por uma emissora de TV para uma entrevista sobre o dia-a-dia da família dos militares. A partir daí, surgiu a ideia de manter o movimento. “A gente está rodando os batalhões para sensibilizar os policiais e familiares preocupados com a situação dos militares. A ideia é trazer a população para o problema que nós, familiares dos PMs, sofremos diariamente”, revelou a contadora Mariana Medalha, de 34 anos.
As pautas das reivindicações são: o retorno do calendário oficial de pagamentos que, determina o quinto dia útil como o dia de depósito do salário; o pagamento imediato e apoio social aos inativos e pensionistas e apoio social aos familiares e policiais feridos.
“Somos capazes de amá-los e protegê-los da mesma forma que eles fazem com a sociedade. Estamos criando forças e catequizando mais mulheres para fazer parte desse movimento. Nosso sofrimento é ver esposas e filhos dos policiais sofrendo”, disse a técnica em enfermagem, Rose Oliveira, 58. (Daniela Scaffo)

domingo, 15 de maio de 2016

O crime organizado está matando nossos policiais

Por: Victor Poubel
Os recentes ataques a policiais no Rio de Janeiro tem como pano de fundo a ofensiva que o crime organizado faz para sedimentar a venda de drogas e se expandir pela cidade. Aquela história de mocinho e bandido ficou nos filmes. Não há escrúpulos. Esses bandidos são assassinos, desonrados e encaram os policiais como ferozes inimigos, não importando o local e em que situação estejam.
A sociedade não pode ser indiferente a isso, assim como atribuir simplesmente ao crime organizado a morte de policiais não é explicação que se basta. Há de se aprofundar na análise da política de segurança pública, da efetividade das ações, do planejamento, da liderança corporativa, e da gestão. Senão, os casos se seguirão, ampliando a sensação vigente de insegurança.
A constatação desalentadora é que a criminalidade organizada cresce no país. Porém, no cotidiano das pessoas a preocupação maior é a criminalidade de massa, que compreende furtos, estelionatos, roubos, sequestros-relâmpago e outros tipos de violência que teimam afetar a tranquilidade das ruas.
Os ataques contra policiais apresentam um potencial de ameaça e imenso perigo à toda sociedade, pois mostra a personalidade de um grupo cruel, descontrolado e sem limite, que poderá produzir consequências imprevisíveis e incontroláveis num futuro próximo. Se matam um policial, estão atingindo um representante do Estado; imaginem o que podem fazer com um cidadão comum.
Portanto, a resposta legal deve ser dada, não como um mero antigripal que, possivelmente, algum tempo depois a pessoa tornará a se resfriar, mas sim adotando medidas firmes e exemplares de combate a uma bandidagem que achou divertido ceifar a vida alheia para propagar o medo.
A inércia, a perplexidade ou reações pontuais do organismo policial servirá somente de estímulo para o crime organizado continuar ditando as regras do jogo, mediante a realização de seguidas ofensivas contra os policiais, pois não se observa uma postura institucional inteligente e dissuasória capaz de estancar essa estratégia de difusão do pânico do crime organizado, unido umbilicalmente com o tráfico de drogas e armas.
A TV nos mostrou traficantes portando fuzis e pistolas, ostensivamente, em clara associação criminosa, desfilando nas vielas de uma favela com soberba e sem qualquer incomodo, demonstrando um inacreditável domínio territorial e desprezo pela lei. Notadamente, a afronta deles começa a emitir um sinal de fraqueza e inoperância do Estado que jamais poderia existir.
Enfim, há de se instituir uma mudança de ambiente na cidade e no país, onde o cidadão e policial passassem a ser respeitados e não assassinados covardemente pelas mãos de uma bandidagem torpe. O receio de morrer tem que estar do lado deles, que escolheram conscientemente o caminho errado da ilicitude e reativo à civilidade, nunca do nosso lado. A sociedade precisa de uma polícia que a proteja e de um Estado forte.


Servidores voltam a protestar na quarta-feira dia 18


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Exército deve ocupar 6 favelas na Olimpíada

As Forças Armadas estão sendo preparadas para ocupar seis favelas do Rio durante a Olimpíada, em agosto. Um estudo elaborado por militares e pela secretaria de Segurança do Estado do Rio prevê ações em comunidades próximas às vias por onde irão passar turistas, autoridades e delegações de atletas.
Nesta quinta (12), o tenente-coronel Luciano Carvalho de Souza, integrante da equipe da Segurança, confirmou o estudo em uma audiência pública na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).
No início da noite, a assessoria da pasta divulgou nota informando que não "há uma definição sobre a ocupação de novas comunidades". O Ministério da Defesa confirmou ações de policiamento na área de Deodoro –onde acontecerão parte dos eventos.
O assunto vem sendo tratado de forma sigilosa e o estudo vai levar em conta o cenário da cidade durante os Jogos. O aumento nas estatísticas de violência e a crise econômica no Rio, que interrompeu os investimentos na área de segurança no Estado, levaram ao estudo.
Vem chamando a atenção o grande número de casos de balas perdidas em comunidades e o aumento da violência em vias importantes como a Linha Amarela.


CULTO COMEMORATIVO: PMERJ COMPLETA 207 ANOS

Hoje a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro completa 207. Para celebrar essa data foi realizado no dia 11/05, um culto, no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, em Sulacap. O Culto comemorativo contou com a presença do Deputado Federal Cabo Daciolo.




terça-feira, 10 de maio de 2016

Polícia pode ficar sem adicional e segurança dos Jogos segue indefinida


 A Secretaria da Casa Civil do estado do Rio de Janeiro ainda não sabe se terá em caixa os R$ 42 milhões pedidos como Adicional de Serviço (RAS) para a Polícia Militar e Civil durante a disputa dos Jogos Olímpicos Rio 2016, que começa em menos de 90 dias. O dinheiro seria usado como bonificação financeira para agentes que trabalharem em horários de folga, o que dá valores iniciais de R$ 112 para a Polícia Civil e R$ 150 para a PM.
De acordo com o G1, a falta desse investimento, que é um reflexo da crise que vive o governo Pezão, pode comprometer o plano de segurança do maior evento esportivo do planeta. Em entrevista, o subsecretário de Grandes Eventos da Secretaria estadual de Segurança (Seseg), Roberto Alzir, diz que espera que o governo honre o compromisso, que está sob análise.

Policiais militares receberiam R$ 150 para um período de 8 horas, e R$ 225 para uma jornada de 12 horas. Entre os policiais civis, o valor de trabalho varia entre R$ 112,50 a R$ 375,00, dependendo da jornada trabalhada.

"Se faltar recursos, temos que pensar em como o Exército será utilizado, como já pensamos a respeito de Deodoro (bairro da Zona Oeste que vai sediar eventos olímpicos). Algumas tarefas em Deodoro que seriam da Polícia Militar, tendo em vista o enorme esforço que a corporação vai fazer para tomar conta de toda a cidade, já serão feitas pelo Exército. Até mesmo patrulhamento ostensivo, controle de trânsito, bloqueios, postos de verificação veicular”, diz Alzir.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Sem dinheiro, PM do Rio pode ficar sem viaturas

Faltando 91 dias para as Olimpíadas, o governo do Rio tem mais um problema para resolver. É que precisa pagar, até dia 16 agora, uma dívida de R$ 120 milhões com a empresa que aluga e faz manutenção da frota de carros da PM. Se não pagar, os veículos serão recolhidos.


terça-feira, 3 de maio de 2016

Rio Grande do Sul: Bloco da Segurança vai ao TJ pedir sequestro de valores do Estado para pagar salários


O Bloco da Segurança Pública protocolou no Tribunal de Justiça do Estado (TJ), na manhã desta terça-feira (3), um pedido de sequestro de valores do caixa do Estado para garantir o pagamento integral dos servidores da área. A exemplo de outros meses, o governo José Ivo Sartori (PMDB) parcelou a folha de abril até o dia 13 de maio.
No momento do protocolo, estavam presentes dirigentes do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul (Ugeirm), da Associação dos Cabos e Sargentos da Brigada Militar (Abamf), da Associação dos Sargentos, Tenentes, Subtenentes da Brigada Militar e Bombeiros do Rio Grande do Sul (Asstbm), da Associação dos Oficiais Subalternos da Brigada Militar (Aosbm), da Associação de Bombeiros do Rio Grande do Sul (Abergs), do Sindicato dos Servidores Penitenciários do RS (Amapergs) e do Sindiperícias.

Os representantes das entidades sindicais querem o cumprimento da liminar concedida justamente pelo TJ, obrigando o Estado a pagar o salário integral dos funcionários da segurança, a partir de uma ação movida pelo próprio Bloco da Segurança contra o RS. Contudo, o governo continua pagando o salário pingado. Nós próximos dias, os dirigentes da área de segurança deverão ser recebidos por representantes da direção do Tribunal de Justiça para tratar do assunto.
Em protesto ao parcelamento dos salários, de acordo com a orientação da Ugeirm, os policiais civis estão fazendo operação padrão, priorizando só os casos urgentes. “Não vai ter operação fora do expediente”, afirmou o presidente da Ugeirm, Isaac Ortiz, sobre as ações que os policiais têm feito com frequência e que agora deixarão de realizar enquanto não receberem o salário integral.

domingo, 1 de maio de 2016

Policiais Militares do Interior vivem em condições desumanas na UPP da Rocinha. São proibidos de Comer no Batalhão mas o Governo não paga ajuda de custo para alimentação

“Bom dia caro amigo , sou policial militar e estou lotado na upp rocinha, na zona sul leblon, venho através desta solicitar uma ajuda de vocês para divulgar as condições que nós policiais militares residentes estamos passando, apesar da crise que se alastra no estado do Rio de Janeiro, nos policiais militares que moramos no interior do estado, estamos sendo prejudicados, com as escalas de serviço e ainda mais somos obrigados a trabalhar no rás compulsório de graça, aqui na upp rocinha, estes serviços gera custos para nós, não podemos comer no refeitório do batalhão e temos que arcar com todas as despesas de café, almoço e janta do nosso próprio bolso e a pmerj não está pagando esse serviço extra(rás compulsório) desde dezembro de 2015 e vale lembrar somos obrigados a trabalhar no rás compulsório, sobre a pena de ser punido administrativamente pela falta do serviço e outra coisa é o estado de calamidade que se encontra o banheiro da upp rocinha, desde já agradeço pela atenção”

Fotos e informações enviadas ao Blog do Adilson Ribeiro via WhatsApp. Nosso número é (22) 9-9601-1115

POLICIAL É SER HUMANO


Nossos policiais batalham todos os dias para manter a ordem. São profissionais de farda que merecem todo o nosso respeito e admiração. Embora eles às vezes pareçam super-heróis, são de carne e osso e em certos momentos, precisam de ajuda para continuar na luta. 

Um em cada três PMs que trabalham em áreas violentas tem sofrimentos mentais por conta do estresse da profissão. Os dados são de um relatório do núcleo de psicologia da corporação, apresentado na CPI da Alerj que investiga os autos de resistência e mortes decorrentes de ações policiais. 
A UPP Nova Brasília, no Alemão, e os batalhões de Rocha Miranda, Irajá e São Gonçalo são onde há mais PMs afetados. 
A falta de boas condições de trabalho e de treinamento são alguns motivos que o relatório aponta como causas do estresse. 
Segundo especialistas, viver continuamente em zona de risco cria fortes tensões desencadeando alguns comprometimentos físicos, como doenças cardiovascular, elevado colesterol e gastrite, podendo afetar também a cabeça com transtornos de humor e desordens mentais. Nossos policiais precisam de ajuda e seus direitos e necessidades também devem ser respeitados. 

PACTO FEDERATIVO: Lei 257/2016 foi proposto pelo governo federal como ajuste fiscal nas contas da União.


O Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores  Públicos Federais (FONASEFE) prepara a Semana de Lutas e Atividades contra o Projeto de Lei Complementar (PLC) 257/2016.
O texto é de autoria do Poder Executivo e, segundo o fórum, "ataca frontalmente os direitos dos trabalhadores dos setores público e privado". O projeto tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados e tem previsão de ser votado ainda no início deste mês. 
A Semana de Lutas e Atividades está marcada para acontecer em Brasília entre os dias 9 e 13 de maio. No comunicado, a FONASE pede o esforço conjunto para a participação de delegações representativas das esferas municipal, estadual e federal. 
"Estamos ampliando nosso convite para o conjunto dos servidores públicos estaduais e municipais. O PLC afeta a todos. É uma minirreforma do Estado, que traz um novo pacto federativo, atendendo aos interesses do capital e prejudicando os trabalhadores", declarou Francisco Jacob Paiva, primeiro secretário e um dos coordenadores do Setor das Instituições Federais de Ensino (Setor das IFES) do Andes-SN. 

O PLC 257/16 prevê, entre outras medidas, a suspensão dos concursos públicos, o congelamento de salários, o não pagamento de progressões e demissão de estatutários.